Sofia Arroz Oliveira
Sofia Arroz Oliveira 17 de setembro de 2017 às 20:40

Incerteza nos mercados financeiros e a "fuga" para as criptomoedas

Os mercados financeiros têm vindo a sofrer alterações significativas durante os últimos anos, tornando-se cada vez mais eficientes.

Isto significa que já incorporam uma grande percentagem do que poderá acontecer, levando a que eventos "surpresa" tenham menos impacto e a que o ajuste de preço seja cada vez mais rápido.

 

Um dos principais fatores é a incerteza política e o consequente ambiente de dúvida que surge não só nos mercados europeus, mas a nível global. O inesperado Brexit e a eleição de Donald Trump continuam a gerar bastante incerteza. No caso do Brexit, porque ainda não estão totalmente definidos os termos e as condições em que vai ocorrer; no caso de Trump, são múltiplos os fatores: as políticas "pro-business" como o corte nos impostos empresariais e a diminuição do peso regulamentar passaram para segundo plano devido à concentração dos esforços na difícil aprovação do plano de saúde que irá substituir o Obamacare, a recente decisão acerca do limite de dívida americana que aparentemente foi adiada um trimestre, e as adversidades que entretanto surgiram, nomeadamente o caso dos destroços causados pelos dois furacões brutais e as ameaças nucleares da Coreia do Norte.

 

Estes fatores têm levado os investidores a repensarem as suas estratégias e a considerarem novos produtos. O investimento nas criptomoedas, principalmente na bitcoin, tem sido uma solução para este regime que tem persistido nos mercados financeiros.

 

A verdade é que a performance da bitcoin tem atraído muita atenção. Desde o início de 2017, o preço da moeda digital teve um crescimento superior a 400%. De acordo com os especialistas financeiros, o "momentum"vai continuar, pudendo atingir máximos de 50 mil dólares em 2027 segundo as previsões da Standpoint Research, podendo, no entanto, ter algumas zonas de resistência, como foi o caso da recente queda.

 

Além do crescimento exponencial, as criptomoedas permitem adicionar volatilidade não correlacionada a um portefólio. Isto deve-se ao facto de não estarem correlacionadas com as mais diversas classes de produtos financeiros, incluindo stocks, tesouros e metais. A fraca regulamentação e a sua estrutura descentralizada também tornam esta opção bastante atrativa.

 

Mas nem tudo é positivo. Citando uma expressão muito usada no mundo financeiro, "não há pequenos-almoços grátis". Em primeiro lugar, as criptomoedas são produtos muito voláteis que nesta fase, no caso da bitcoin, estão a dar retornos bastante elevados, mas que se podem transformar em grandes perdas, sendo que alguns especialistas acreditam que a bitcoin está a formar uma bolha. Se por um lado o facto de as bitcoins terem um teto no valor de 21 milhões alimenta esta crescente valorização, por outro lado, se todas as pessoas começarem a investir na moeda, pode atingir-se um ponto em que o número de compradores estagne, levando a uma desvalorização bastante acentuada.

 

A conclusão plausível é que a bitcoin constitui uma solução. Resta saber se não será apenas a solução a curto prazo.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo 18.09.2017

Também era interessante mencionar o papel da China na inflação das criptomoedas uma vez que, por razões de anonimato e consequente dificuldade em rastrear, tem sido uma escolha em massa por parte dos investidores chineses

surpreso 18.09.2017

O "bitcoin" é um esquema Ponzi.Pergunte ao avô-uma Dona Branca