Patrícia  Abreu
Patrícia Abreu 24 de outubro de 2017 às 20:18

Investidores calmos com a mão de Draghi por baixo

A crise na Catalunha está longe de estar resolvida, com o Governo de Mariano Rajoy e a Generalitat sem darem sinal de ceder.

Depois de Rajoy ter anunciado a intenção de activar o artigo constitucional que suspende a autonomia da Catalunha, a Generalitat equaciona agora avançar com a convocação de eleições antecipadas para tentar impedir que o artigo 155 da Constituição produza os efeitos pretendidos pelo executivo espanhol. Apesar deste conflito entre o governo central e o governo autonómico, as taxas de juro das obrigações espanholas continuam sem reflectir a crise catalã. Tal como escreve Marcus Ashworth, num artigo de opinião publicado na Bloomberg, os investidores têm admiravelmente evitado o pânico, o que poderia fazer disparar as "yields" espanholas, algo que não aconteceu. A taxa de juro a dez anos de Espanha encerrou a última sessão ligeiramente acima de 1,65%. Mas, tal como lembra o colunista da Bloomberg, mais do que o sangue-frio dos investidores, a razão para a tranquilidade no mercado é justificada pela intervenção do BCE no mercado, que continua a comprar obrigações. E, mesmo que Mario Draghi anuncie esta quinta-feira a redução das compras, enquanto continuar a segurar os juros do euro não há razão para alarme.

 

Jornalista

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