Patrícia  Abreu
Patrícia Abreu 08 de janeiro de 2018 às 20:32

Investidores confiam cada vez mais nos robôs 

Há cada vez mais dinheiro a ser gerido por robôs. Os activos geridos por fundos que recorrem a estratégias quantitativas, ou seja, cujas decisões de investimento são tomadas com base em modelos algorítmicos, transpuseram uma nova barreira.

Pela primeira vez na história, os "hedge funds" quantitativos superaram um bilião de dólares de activos sob gestão, avança o Financial Times, que cita dados da HFR. Segundo a mesma notícia, o montante gerido por estes fundos era de 940 mil milhões de dólares, no final de Outubro de 2017, tendo registado subscrições elevadas no último trimestre do ano. Estes produtos têm evidenciado um forte crescimento ao longo dos últimos anos, impulsionados pelos bons resultados pelas estratégias com base em algoritmos. Perante estes resultados, muitos "hedge funds" tradicionais estão a contratar cientistas e programadores para melhorarem os seus modelos quantitativos. "Ao longo da última década os resultados do investimento quantitativo sistemático têm sido inegáveis", adiantou Philippe Jordan, presidente da CFM, um fundo quantitativo. E os investidores parecem convencidos de que estas estratégias compensam. São cada vez mais os que preferem confiar as suas poupanças a robôs.

 

Jornalista 

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mais votado Ser ou não ser pelos robôs, eis a questão (2) 09.01.2018

Na Bolsa, com periocidade imprevisível, ocorrem mudanças estruturais, que tornam obsoleta muita da experiência anterior.
Assim um robô,que previsivelmente iria dar e teria dado durante certo período, resultados superiores aos Humanos, passaria a dá-los piores.
E tal durante o período necessário para se acumularem os dados suficientes a uma nova recalibragem.
Durante tal período, os Humanos seriam superiores, para logo a seguir o deixarem de o ser.
Até que novamente o feedback dos Humanos sobre os Mercados induzisse estes a mudar.
Em conclusão:
-Ser pelos robôs, nos períodos em que os robôs, após período de aprendizagem sobre uma realidade estável, serão ainda durante um período de tempo imprevisível, manifestamente superiores aos Humanos;
-Ser pelos Humanos, quando após mudanças estruturais que inviabilizam a realidade que esteve na base da aprendizagem dos robôs, a competência teórica e o “saber de experiência feito dos Humanos”, os torna indiscutivelmente superiores aos robôs.

comentários mais recentes
Robôs + ETFs : Revolução à vista 09.01.2018

Está no horizonte autêntica revolução no ecosistema dos investimentos:
Por um lado, Robôs:
1-Levando ao limite a extração de utilidade das Bolsas oferecendo-a aos investidores ricos ou pobres (redes neuronais inspiradas no cérebro humano; otimização mimetizando o processo evolutivo da Natureza).
2-Assegurando a viabilidade de concretizar aquilo que hoje apresenta maior grau de utilidade marginal de serviço prestado ao investidor: a recomendação do seu grau ótimo de exposição ao risco baseado no diagnóstico do seu nível de tolerância.
Por outro lado, ETFs:
Associando o melhor dos Fundos de investimento (diversificação do risco, mais de 5000 ETFs adaptando-se à diversidade de ideias dos investidores sobre o que faz o sucesso);
Melhorando-os (de liquidez diária, para liquidez imediata; alavancagem e short selling);
Superando-os (custos de transação que chegam a ser uma ordem de grandeza inferiores).
Em todas as revoluções há vencedores certos: os que se posicionam atempadamente.

Interesse estratégico dos robôs em Portugal 09.01.2018

Portugal precisa de crescer.
Para crescer precisa de investir, o que não está a fazer em grau sequer suficiente para compensar o desgaste do capital fixo que herdou.
Para investir o que deveria, Portugal precisa de Poupança.
Se não a tiver, tal como um país colonizado, terá de recorrer a empréstimos estrangeiros, o que nem sequer hoje é fácil dado o peso da dívida pública em nível superior ao atingido no tempo da bancarrota de D.Carlos.
A solução é levar os Portugueses a poupar mais.
Seria inumano fazê-lo pela via de mais impostos.
Mas não é, se se derem aos Portugueses maiores prémios para pouparem.
A Gestão de Ativos, nomeadamente através dos Fundos de Investimento(Fis), pode dá-los.
Mas para que o efeito fosse significativo em termos de resultados, haveria que aumentar o investimento em Fis, e levá-lo aos níveis que ocorrem na Europa.
Para o fazer, a vantagem dos robôs – a escalabilidade – seria quiçá a forma mais decisiva de o conseguir, ultrapassando-se parasitismos enquistados

Ser ou não ser pelos robôs, eis a questão (3) 09.01.2018

Na “competição” entre Humanos e robôs não deixa de ser pertinente referir uma outra dimensão, que hoje inclusive será porventura a mais relevante em termos de consecução de resultados:
Os que se obtêm em Bolsa dependem da frequência e da intensidade com que se encontram situações de desequilíbrio suscetíveis de aproveitamento;
Mas também da possibilidade de aproveitar esses desequilíbrios antes que a Concorrência o faça.
E a Concorrência em Bolsa -com o número de oportunidades por ora menor do que já foi,
com um nível de competências humanas e técnicas incomparavelmente superior,
com comunicações instantâneas ao nível de todo o mundo,
com massas de capitais buscando rendibilização muito superiores ao que foram no passado,
com custos de transacção uma ordem de grandeza inferiores
- é incomparavelmente mais agressiva do que no passado foi.
E os robôs são mais fáceis de imitar que os Humanos,
e assim, mais sensíveis ao efeito de aviltamento de resultados resultante da híper concorrência.

Ser ou não ser pelos robôs, eis a questão (1) 09.01.2018

Mais de 70% dos ativos financeiros mundiais sob gestão, são geridos de forma ativa,
ou seja, com um objectivo de tentar bater um investimento passivo nos índices;
Uma relevante justificação para tal tipo de gestão será o de corrigir os enviesamentos resultantes da realidade dos instintos humanos serem o resultado da luta pela sobrevivência física no Paleolítico, muito mais do que uma optimização face à competição económica de hoje.
Os robôs, dotados de velocidades de cálculo imensamente superiores aos Humanos e de memórias que também o poderão ser,
e baseando-se em critérios de decisão objetivos e função da realidade com que foram “ensinados”
- podem ser em múltiplos domínios, muito superiores aos Humanos.
Isto se a realidade com que foram “ensinados” se mantiver estável durante período de tempo suficientemente longo,
como é o caso em múltiplos domínios ( Medicina e mesmo na Banca em geral, ou nos Seguros).
Mas não é o caso na Bolsa.

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