Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 02 de Outubro de 2016 às 19:30

Investimentos produtivos estruturantes

A solidez económica dum país é definida pelas unidades produtivas estruturantes, que constituem os pilares de sustentação dos respectivos "clusters" industriais.

É o que acontece na Alemanha, em que existe um conjunto significativo de unidades industriais estruturantes, que suportam os vários "clusters" onde a Alemanha se tornou competitiva a nível global e que estão na base dos sistemáticos excedentes comerciais da economia alemã.

 

Neste caso particular, a capacidade competitiva é reforçada pela interligação destas unidades produtivas com o sistema financeiro regional e com o sistema universitário e de investigação.

 

Não é, assim, de estranhar que o Governo alemão se prepare para uma redução significativa da carga fiscal sobre as empresas e sobre as famílias, aumentando a qualidade de vida destas e a capacidade competitiva daquelas.

 

Pelo contrário, as economias frágeis têm um número reduzido de unidades estruturantes e um tecido empresarial suportado em pequenas e médias empresas, com pouca capacidade para competirem no mercado global.

 

Nestes países, os resultados provenientes da instalação de uma unidade estruturante são imediatamente visíveis.

 

Foi o que aconteceu em Portugal com a instalação da Autoeuropa, que potenciou, de imediato, o crescimento e o reforço das unidades produtoras de componentes automóveis, tornando o "cluster" automóvel nacional razoavelmente competitivo e com um volume de exportações considerável.

 

O país precisa, urgentemente, de mais duas ou três Autoeuropas.

 

Se tivermos em consideração as unidades complementares para a criação e consolidação de "clusters", as unidades estruturantes que melhorariam significativamente a solidez da nossa economia situam-se nas áreas dos equipamentos eléctricos (consolidando o "cluster" energético), dos equipamentos de comunicação (aprofundando o "cluster" das TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação) ou da indústria farmacêutica (robustecendo o "cluster" das biotecnologias e tecnologias da saúde).

 

Em todos estes casos, é possível identificar os grandes "players" mundiais e preparar um programa que torne atraente a localização em Portugal, de uma unidade produtiva de referência internacional.

 

E a AICEP Global tem as competências necessárias para preparar este programa de incentivos.

 

As dificuldades para a concretização deste objectivo situam-se a montante, ou seja, na capacidade do governo para eliminar os receios dos investidores estrangeiros (e, por contágio, inteligência e prudência, dos investidores nacionais), levando-os a investir em Portugal.

 

Face à evolução recente do investimento, com taxas de variação negativas, em relação ao ano transacto, reflectindo os receios de instabilidade fiscal, instabilidade laboral, e incumprimento contratual, por parte dos investidores, nacionais e estrangeiros, não parece ser um caminho fácil.

 

Mas não há alternativa para o robustecimento da economia portuguesa, e quanto mais depressa os portugueses interiorizarem este facto, melhor.

 

Professor Associado Convidado do ISCTE

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