Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 31 de janeiro de 2018 às 18:42

"It's the end of the world as we know it and I feel fine" 

As empresas serão confrontadas com um novo padrão de responsabilidades sociais, a que terão de responder, enquanto os governos terão o desafio do alcance do seu mandato de representatividade.

A FRASE...

 

"Os gigantes digitais trazem disrupções [tecnológicas] e vão provavelmente destruir empregos. Se quem destrói empregos não ajuda - por exemplo, a financiar a formação de pessoas -, como é que eu vou explicar isso aos trabalhadores e à classe média?"

 

Emmanuel Macron, Jornal de Negócios, 24 de Janeiro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Davos, este ano, trouxe ao de cima as incertezas e as dificuldades políticas no mundo globalizado de hoje. A constituição de governos não é mais o que era - Portugal com o compromisso de esquerda, os resultados eleitorais em França, ou a nova aliança que se forja na Alemanha -, ao passo que as políticas orçamental e monetária se mostram incapazes de produzir os efeitos desejados sobre a economia.

 

Os responsáveis governamentais à escala mundial vivem na dualidade entre o discurso politicamente correto favorável à globalização e a necessidade de encontrar mecanismos de proteção das suas economias e dos seus cidadãos, perante as investidas de países que oferecem condições agressivas para atrair e reter capital e investimento empresarial.

 

Porque o equilíbrio não é fácil, a insistência em mais do mesmo poderá ter os dias contados. Na frente monetária, por exemplo, os juros permanecem muito baixos, sem contrapartida da rápida progressão do investimento. Na Zona Euro, o BCE mantém-se na expectativa, sem ver na retoma sinais suficientemente robustos para uma política mais restritiva da liquidez e fazendo-nos lembrar a já longa crise financeira japonesa.

 

Assistimos a mudanças estruturais na sociedade a exigir novas respostas, cuja coerência não pode ser avaliada à luz de modelos políticos e estruturas organizacionais tradicionais. É tempo de revisitar a distribuição de responsabilidades entre setor público e privado, refletindo o reequilíbrio de forças suscitado pela tecnologia e pela elevada mobilidade internacional dos recursos.

 

Nunca como agora, em que o crescimento mundial é moderado, se fez tanto sentir a disputa e a vivência dentro de um mundo governado pela teoria dos jogos - ou "Game of Thrones", para ser mais figurativo - em que o comportamento estratégico é chave. Em termos muito gerais, na medida em que as tensões assim o exijam, as empresas serão confrontadas com um novo padrão de responsabilidades sociais, a que terão de responder, enquanto os governos terão o desafio do alcance do seu mandato de representatividade.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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