Fernando  Sobral
Fernando Sobral 26 de Dezembro de 2016 às 20:55

Jogos de energia no Médio Oriente

No Médio Oriente estão a nascer novas alianças políticas e, ao mesmo tempo, perspectivam-se novas mutações na área da produção e distribuição de energia.
Em tempos de guerra e de mudança de alianças, os ventos da energia também se estão a alterar no Médio Oriente. Com a mudança de poder militar na Síria, que a conquista de Aleppo demonstrou, outros interesses também se movem. O Qatar Investment Authority, em conjunto com o "trader" Glencore, comprou 19,5% da maior empresa petrolífera russa, a Rosneft, por cerca de 11,5 mil milhões de dólares, injectando necessários capitais na economia russa, muito afectada pelas sanções ocidentais. Esta é a primeira vez que o Qatar entra no "núcleo duro" do poder petrolífero russo e, claro, no grupo mais importante de apoio a Vladimir Putin.

O Qatar, recorde-se, é o maior acionista da Glencore. Esta é também uma forma de ver como a política do Qatar se tem distinguido pelo pragmatismo desde há muito. A chegada ao poder do emir Tamim bin Hamad Khalifa al-Thani em 2013 levou ao afastamento do então MNE, o poderoso Hamid bin Jassim, que tinha uma política considerada agressiva e que o levou a aproximar-se da Irmandade Muçulmana do Egipto, por exemplo. O Qatar sempre foi um audível oponente do regime de al-Assad na Síria e o Qatar deseja ser uma ponte ente entre os países do Golfo e a Rússia, dentro de uma política cada vez mais pragmática.


A escolha de um homem do petróleo, Rex Tillerson, que vem da ExxonMobil, para secretário de Estado parece também fazer parte deste novo "puzzle", onde os homens da energia, estão a determinar outras políticas paraas múltiplas crises no Médio Oriente. Uma melhor relação EUA-Rússia permitirá mais oportunidades de negócios para o Qatar. Logo após o acordo do Qatar com a Rosneft, a italiana Eni decidiu vender à empresa russa 30% do campo de gás Zohr no Egipto, a maior descoberta de gás natural no Mediterrâneo na última década. O Qatar passa a ter acesso indirecto aos campos de gás egípcios.

Apesar das suas divergências, Rússia e Qatar são dois dos maiores produtores e exportadores de energia. Isto sucede também numa altura em que a Rússia e o Irão chegaram a um acordo preliminar que permitirá usar as suas moedas nas trocas comerciais entre ambos os países. E isto inclui aliança mais forte no sector da energia, já que a Gazprom mostrou interesse em estar envolvida no pipeline entre o Irão e a Índia por baixo de água, entre os dois países e via Omã. Assim tudo se move no Médio Oriente. 

China: O fim da febre do futebol?

Nos últimos tempos a China parece o Eldorado do futebol. Estrelas dos relvados europeus têm emigrado para lá em busca do sucesso financeiro, enquanto os chineses vão criando escolas de futebol para virem a ser uma das maiores potências mundiais do chamado desporto-rei. Pelo caminho vão comprando clubes de futebol da Europa. Tudo sob o olhar compreensivo do presidente Xi Jinping, um grande adepto do futebol. Mas agora parece que as autoridades se começam a preocupar com o dinheiro sem fim gasto em compras de jogadores. O país está a pensar cortar o número de estrangeiros que possam alinhar nos clubes chineses, passando-os de cinco para quatro, numa tentativa de atenuar as aquisições milionárias, numa iniciativa da Federação Chinesa de Futebol.


Os clubes da Superliga chinesa já gastaram mais de 400 milhões de dólares em jogadores estrangeiros e chineses nesta época. Segundo a FCF a chegada dos jogadores estrangeiros trouxe talento e energia à liga mas criou estrangulamentos financeiros e impediu a entrada de futebolistas locais nas equipas. As novas regras começa a aplicar-se a uma semana da abertura do mercado de transferências e depois do Xangai SIPG ter confirmado a contratação do brasileiro Óscar por 73 milhões de dólares. Em Julho, Hulk tinha-se transferido para o mesmo SIPG por 58 milhões de dólares. E continuam os rumores: fala-se que Carlos Tevez poderá ir para o Xangai Shenhua após o clube pagar 87 milhões de dólares pelo seu passe.

A "bolha" do futebol chinês parece estar a causar preocupações a nível oficial, algo que o "Diário do Povo" já fez eco, ao pedir aos clubes para controlarem o seu gasto excessivo. Ou seja, poderá estar a acontecer uma mudança estrutural no futebol chinês.

 

 

Coreia do Sul: Ban Ki-moon olha para a presidência

Ban Ki-moon, que deixa o cargo de secretário-geral da ONU no final do ano é uma hipótese para a presidência da Coreia do Sul. Durante um encontro com jornalistas sul-coreanos na ONI, disse que iria utilizar os seus 10 anos de experiência na organização para ajudar o seu país - uma clara indicação das suas ambições presidenciais. Ban Ki-moon disse que decidirá a forma da sua contribuição depois de regressar a casa, ouvindo várias opiniões. Ban Ki-moon fará 73 anos em 2017 e a sua declaração surge no meio do escândalo que envolve a actual presidente Park Geun-hye.

 

Taiwan: S. Tomé escolhe China

O governo de São Tomé e Príncipe decidiu cortar relações diplomáticas com Taiwan e reconhecer a República Popular da China. "O governo, após uma consulta com o Chefe de Estado, decidiu nesta data cortar formalmente as relações diplomáticas estabelecidas com Taiwan", lê-se no comunicado. As relações comerciais entre a China e São Tomé e Príncipe situaram-se em 5108,9 mil dólares de Janeiro a Setembro, com a China a ter exportado bens no valor de 5094 mil dólares e a ter comprado ao arquipélago produtos no montante de 14,9 mil dólares.

 

China impõe multa à GM

A China multou a General Motors em 29 milhões de dólares por "preços monopolistas" em modelos da Cadillac, Chevy e Buick. A sanção segue a declarações no futuro presidente dos EUA, Donald Trump, que questionavam a existência de "uma China" e a sua nomeação de Peter Navarro como conselheiro do Comércio, um "duro" nas relações comerciais com Pequim. Mas nada garante que a multa é uma forma de retaliação. A multa é a última de uma série de acções iniciadas em 2011 e que incluem sanções à Audi, Daimler AG Mercedes-Benz, Toyota e Nissan.

 

 

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar