Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de setembro de 2017 às 09:10

John le Carré, o sonho americano e o Brexit

A Casa Branca tem uma solução milagrosa para o futuro dos "sonhadores", como são conhecidos nos EUA os emigrantes jovens, sem documentos, nascidos no país e que se arriscam a ser deportados.
Depois de acabar com o programa que permite a sua permanência nos EUA, Trump apoia agora a sua regularização no Congresso em troca de uma verba para a construção do muro com o México. Não admira como o escritor John le Carré olha para Trump.

Numa das suas raras aparições, e nas vésperas de lançar o seu novo livro "A Legacy of Spies", Carré disse numa apresentação no Royal Festival Hall de Londres que encontra paralelos "tóxicos" entre a ascensão de Trump e a dos fascismos nos anos 30. "Algo verdadeiramente mau está a acontecer e do meu ponto de vista devemos estar despertos para isso.

A forma como Trump actua nos EUA, com o atiçar do ódio racial, uma espécie de queima de livros quando declara notícias verdadeiras como notícias falsas e a lei se torna uma notícia falsa, tudo acaba por ser notícias falsas. Penso nas coisas que aconteceram na Europa na década de 1930, na Espanha, no Japão e, claro, na Alemanha. Para mim isto são sinais da ascensão do fascismo e isso é contagiante e infecta. O fascismo está em alta e a correr na Polónia e na Hungria. Há um encorajamento para isso."

No "Guardian", John Harris fala do fim do "sonho britânico": "A Grã-Bretanha deixará de ser um lugar para começar uma família ou comprar uma casa; como com as pessoas de fora da UE, todos os que queiram vir para aqui e trabalhar serão sujeitos a um quase incompreensível regime de requerimento de receita, vistos de permanência e controles de emigração. Se parte do Brexit é sobre a negação do futuro e uma visão errada do passado, vamos descobrir o que tudo isso será na prática". No "Politico", Christian Odendahl escreve que os britânicos escusam de esperar que a Alemanha, se Merkel ganhar as eleições, seja mais suave com o Brexit: "Para a Alemanha nada é mais importante do que o mercado comum".
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