José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 16 de outubro de 2017 às 20:02

Kevin Warsh: um nome a reter

Tenho poucas dúvidas de que a opção mais acertada para Trump e para a economia dos EUA seria colocar Kevin Warsh à frente da Reserva Federal.

A FRASE...

 

"Trump pondera ex-membro da Fed [Kevin Warsh] para próximo presidente [da Fed]."

 

U.S. News, 29 de setembro de 2017  

 

A ANÁLISE...

 

A notícia de que o Presidente Trump se reuniu com um dos principais críticos da política monetária da Reserva Federal, Kevin Warsh, desencadeou a especulação de que esse nome poderia vir a ser a escolha da Casa Branca para substituir Janet Yellen no leme do banco central americano, quando o mandato desta terminar em fevereiro próximo. Tal especulação faz todo o sentido em face da proximidade de Trump e Warsh no que toca às linhas-mestras da política económica.

 

Tal como Trump e ao contrário do "establishment", Warsh considera que a política de compra massiva de dívida ("quantitative easing") que a Fed implementou durante anos estimulou o capital financeiro em detrimento do capital produtivo, com prejuízo para a expansão económica, o crescimento do emprego e dos salários. O resultado foi a agudização da desigualdade social, cujo descontentamento ofereceu de bandeja a eleição ao atual Presidente. Tal como Trump e ao contrário do "establishment", Warsh considera que a redução de impostos, a desregulamentação da atividade económica e a diminuição da despesa pública - axiomas basilares da filosofia económica do Presidente - contribuem decisivamente para acelerar o investimento e, logo, aumentar o produto potencial.

 

Isto significa que sob Warsh, a política monetária seria lesta a reduzir a liquidez excedentária, que só aproveita aos operadores financeiros, mas vagarosa a normalizar as taxas de juro, com que as empresas financiam o investimento e o emprego. Tenho poucas dúvidas de que a opção mais acertada para Trump e para a economia dos EUA seria colocar Kevin Warsh à frente da Reserva Federal. Se tal viesse a acontecer, a Casa Branca e o Eccles Building (sede da Fed) teriam nos seus presidentes aliados naturais. Não obstante, esse desfecho está longe de estar garantido, pois a candidata do "establishment" é Yellen. E Trump já mostrou amiúde nem sempre ter força para enfrentar o "status quo". Daí que, entre Warsh e Yellen, seja um 50/50.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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