Tiago Freire
Tiago Freire 16 de junho de 2017 às 09:36

Macron e o labirinto de May no Reino Unido

Emmanuel Macron continua a fascinar os franceses e a assumir-se como uma espécie de símbolo anti-populismo na Europa. Mais do que isso, este líder instantâneo está a servir de teste à tese de que os partidos tradicionais estão perdidos, sim, mas isso não significa que os extremos partidários tenham o campo aberto.

Hugo Drochon, professor universitário, analisa no Guardian os desafios do novo líder. "Ao posicionar-se à esquerda e à direita, Macron aspirou a maior parte do espaço do centro, deixando à direita moderada o encargo de disputar o resto com a extrema-direita e a extrema-esquerda", afirma, isto num cenário em que os socialistas ameaçam desaparecer do mapa. Veremos neste fim de semana.

Visto de França mas a olhar para o Reino Unido, Jean Quatremer, do Libération, assina um texto carregado de ironia: "Obrigado, britânicos, o Brexit vacinou a Europa contra os populismos". "Ver o Brexit a desenrolar-se é um prazer tão grande", arranca, explicando que sempre quis que o Brexit ganhasse. Para que "todos os eurofóbicos e eurocépticos verem os seus sonhos desfazerem-se contra o muro da realidade". Macron, lembra o correspondente do Libération em Bruxelas, derrotou com estrondo o "Frexit" pretendido pela Frente Nacional. O mesmo Macron que, num exercício de malvadez, disse a Theresa May que a porta da UE continua sempre aberta, até que as negociações de saída estejam fechadas. "Mesmo que decidisse ficar, o Reino Unido nunca recuperaria a posição que em tempos teve; o ridículo, afinal, sempre tem um preço", sentencia.

No Público, Francisco Assis também olha para lá do Canal da Mancha. "O estado de confusão mental denotado no discurso dos conservadores é de alguma forma o reflexo de um desnorte mais geral induzido por uma verdadeira crise de identidade nacional", afirma, explicando que a fraqueza total de May não promete ajudar nas fundamentais negociações com a União Europeia.


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