Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 14 de dezembro de 2017 às 19:50

Mais gente a gozar com o nosso dinheiro  

O escândalo da Raríssimas é mais do que um caso de gestão danosa de uma boa obra. Revela ligações perigosas do poder político e do tráfico de influências, que em nome de uma causa nobre, delapida dinheiro dos contribuintes. 

Paula Brito e Costa conseguiu cumprir um sonho e ajudar dezenas de famílias. A Casa dos Marcos é um projecto notável. Desgraçadamente a mulher responsável por tamanha  obra é também a pessoa que coloca a instituição em risco com uma governação nepotista, com demasiados indícios de gestão danosa.

 

Em causa está muito dinheiro dos contribuintes, o que também gera a dúvida se todo o dinheiro entregue às IPSS (Instituições Particulares de Segurança Social) tem a fiscalização devida. Se não fosse a investigação jornalística iniciada pela TVI, a Raríssimas mantinha a imagem de grande instituição e a sua presidente o estatuto de putativa protagonista de uma hagiografia.

 

A máquina da Segurança Social deixou por omissão desbaratar dinheiro público. Num país pobre, com muita gente necessitada e histórias dramáticas, o dinheiro público para a solidariedade tem de ser bem gasto e chegar às pessoas que precisam. Nunca podem pagar vidas luxuosas, carros de alta cilindrada, vestidos de alta-costura, ou até gambas por 230 euros. O Estado acaba por ser cúmplice da gestão danosa, mas para isso contribuíram os políticos, principalmente do Bloco Central, que deram o seu aval, sem se preocuparem com a realidade das contas da instituição.

 

Ninguém é inocente. A fundadora soube-se reunir de pessoas influentes e poderosas, mas houve políticos que beneficiaram com este esquema.

 

Desde o ministro da Segurança Social, que embevecido inaugurou uma placa com o seu nome no hall da instituição, até à sua mulher, deputada socialista Sónia Fertuzinhos, que fez uma viagem à Suécia, em representação da entidade, para não falar do ex-secretário de Estado da Saúde, contratado como consultor, revelando mais uma vez a visão estratégica de Paula Brito e Costa, que antecipava o regresso socialista ao poder, prometendo que Manuel Delgado geraria "muito guito". Era esta a mensagem da presidente ao seu tesoureiro com a contratação de Delgado.

 

Não se sabe se o secretário de Estado que se demitiu depois da investigação da TVI revelar que podia haver algo mais do que consultoria de gestão na ligação entre o antigo governante e a fundadora da associação conseguiu mais guito, mas se não fosse a torneira dos subsídios públicos sem controlo, seria mais difícil financiar a viagem ao Rio de Janeiro.

 

Não são os primeiros a beneficiar de férias à conta de fundos públicos. Lamentavelmente há demasiadas pessoas a gozar à conta do nosso dinheiro.

 

Saldo positivo: Amancio Ortega

 

O empresário galego que começou por fabricar batas e acabou como um dos homens mais ricos do mundo. Construindo um grande império têxtil, está a deixar a gestão das empresas. Sendo a indústria têxtil uma das mais fortes em Portugal, e várias fábricas exportam para marcas da Inditex, é uma pena que este país não tenha tido nesta área um empreendedor com o mesmo sucesso global, nem tenha havido nenhuma portuguesa lusa com a dimensão da Zara.

 

Saldo negativo: Vieira da Silva

 

O ministro da Segurança Social era um dos homens mais fortes do Governo até se conhecer o escândalo das Raríssimas. Mas Vieira da Silva pactuou vários anos com a gestão luxuosa da presidente da instituição. Como membro da mesa da assembleia-geral deu aval às contas de uma associação que recebe dinheiros públicos e que tinha uma gestão pouco rigorosa. Tem o seu nome no hall da Casa dos Marcos, o que acaba por ser uma ironia neste escândalo.

 

Algo completamente diferente: Nova escolha reforça linha endogâmica do Governo.  

 

O organograma deste Governo é cada vez mais parecido com uma árvore genealógica. Não está em causa o perfil, nem a qualidade técnica das pessoas, mas a escolha de Rosa Zorrinho, mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, para secretária de Estado da Saúde reforça uma linha que já se notava. Há endogamia neste executivo, que se candidata a ser o Governo da História da República com mais ligações familiares. O percurso de Zorrinho mostra ainda a vantagem de pertencer à elite do partido. Aos 28 anos, a socióloga já era administradora de um hospital público. 

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mais votado Anónimo Há 1 dia

Pagar mensalmente a cada um de 3 directores de uma organização a quantia de 10 mil euros sem qualquer necessidade ou justificação económica ou pagar 1000 euros a 30 colaboradores com cargos não directivos que também ocupem um posto de trabalho efectivo sem qualquer necessidade ou justificação por estarem em demasia na organização ou por existir uma tecnologia muito mais económica, e por ventura mais eficiente, que os pode substituir, é exactamente a mesma coisa. É eu e a minha família, sem nada termos a ver com isso, sermos extorquidos mensalmente em 30 mil euros para de forma indecorosa entregar o fruto desse saque a outrem, sem qualquer razão ou fundamento válido. Isto pode-se passar, e em Portugal passa-se constantemente, com fundos públicos entregues a uma instituição de solidariedade social, subsídios estatais e isenções fiscais avulsas e discricionárias a empresas públicas ou privadas, ou num qualquer serviço público flagelado pelo sobreemprego a nível directivo e não directivo.

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Mr.Tuga Há 1 dia

Não tarda e o "estrado?!" é todo de SÓCIOS do Largo dos RATOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
É preciso premiar os sócios!
É preciso manter motivados BOYS e GIRLS!
Só mesmo com o povão mais imbecilizado e troglodita da Europa e OCDE....
Este sitio REPUGNANTE MERECE-SE!

Concordo Há 1 dia

Realmente o Coelho ter roubado 7 milhões de fundos europeus e horrível O que vale é que já foi preso

fpublico condenado a 48 anos trabalho/descontos Há 1 dia

goza, rouba,....pq portugal é uma País de xulecos, subservientes, engraixolas e sempre a espera que caia alguma coisa com trabalho do colega do lado
o dr. oliveira salazar tinha mais sentido de etica que alguns politicos pseudo democratas
as classes de independentes serios e ganham bem, estão caga

Anónimo Há 1 dia

Pagar mensalmente a cada um de 3 directores de uma organização a quantia de 10 mil euros sem qualquer necessidade ou justificação económica ou pagar 1000 euros a 30 colaboradores com cargos não directivos que também ocupem um posto de trabalho efectivo sem qualquer necessidade ou justificação por estarem em demasia na organização ou por existir uma tecnologia muito mais económica, e por ventura mais eficiente, que os pode substituir, é exactamente a mesma coisa. É eu e a minha família, sem nada termos a ver com isso, sermos extorquidos mensalmente em 30 mil euros para de forma indecorosa entregar o fruto desse saque a outrem, sem qualquer razão ou fundamento válido. Isto pode-se passar, e em Portugal passa-se constantemente, com fundos públicos entregues a uma instituição de solidariedade social, subsídios estatais e isenções fiscais avulsas e discricionárias a empresas públicas ou privadas, ou num qualquer serviço público flagelado pelo sobreemprego a nível directivo e não directivo.

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