Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes 29 de janeiro de 2018 às 21:05

Mais para a direita ou para o centro ou para o centro-direita?

Um partido que aspira governar, mudar a vida das pessoas, precisa que o eleitorado se identifique com ele, votando. O ponto é, pois, este: como comunicar, como convencer as pessoas a aderir?

Quando se formou a maioria de esquerda, intuí que esta forçaria um debate mais ideológico, criando uma clivagem entre esquerda boa pelo crescimento e direita má pelo empobrecimento, assim cimentando a heterogénea maioria.

 

Disse então que o CDS não poderia cair no erro de entrar nesse debate. Um partido com mais de 40 anos não precisa de se sentar no divã de psicanálise. O CDS é o resultado desses 40 anos, sabe bem quem é e deve preocupar-se em construir uma alternativa que o torne a primeira força, apresentando propostas e soluções.

Houve quem visse neste apelo ao pragmatismo um convite à neutralidade ideológica, a sermos uma coisa ou outra conforme as conveniências. Foi uma novidade para mim, isto de pragmatismo ser antónimo de ideologia. Fiquei a saber que há quem ache que as pessoas de ideias definidas não podem ser pragmáticas.

Como é evidente, isso é absurdo. É aliás o oposto: é quando está confortável com o seu património ideológico que um partido se pode centrar nas propostas, porque há fio condutor. Já as permanentes discussões identitárias são próprias de partidos que não sabem quem são, e não raras vezes são pedidas por quem quer mudar tudo, como se décadas anteriores nada significassem. 

Se o CDS evitou o erro, o mesmo não sucedeu com o PSD, durante anos a discutir sobre a legítima social-democracia e se era de direita ou de esquerda. O país olhou para o debate com indiferença, como olha quando se discutem conceitos ideológicos relativos. Muitos artigos se escreveram, com ideias interessantes, mas o entusiasmo gerado no eleitorado foi o que se viu.

 

Um partido que aspira governar, mudar a vida das pessoas, precisa que o eleitorado se identifique com ele, votando. O ponto é, pois, este: como comunicar, como convencer as pessoas a aderir?

 

Ora, o que é que convence mais as pessoas? Saber como o partido quer resolver os seus problemas ou saber que a proposta X é 75% social-democrata exceto no n.º 2 do artigo 6.º em que é conservadora a 45%? Saber o que diz o partido sobre saúde ou saber que o partido é de direita, mas não de centro-direita, ou que o partido é social-democrata, mas só da social-democracia de esquerda?

 

O que significa dizer, por exemplo, que queremos ser um partido de direita, mas não de centro-direita? Que queremos alienar quem se sente de centro-direita? Que os convidamos a votar no partido do lado? E saberemos todos o que querem esses conceitos dizer? Estamos todos a falar da mesma coisa? Quando a maioria do eleitorado recusa rótulos, porque os desconhece ou porque não há sobre eles noção inequívoca, é um erro falar com ela utilizando rótulos.

 

Isto não significa que um partido deva dispensar a ideologia. Deve aliás estar em reflexão constante. Mas um discurso centrado nas propostas não é neutro. As propostas surgem da ideologia, concretizam-na, dão-lhe forma, podem atrair. E para propostas servem os partidos de governo, ou seriam associações de pensamento ou de protesto.

 

Isto não significa que um partido deva resumir o seu discurso a uma lista de propostas. Elas devem fazer parte de uma visão motivadora, capaz de gerar entusiasmo. Mas o discurso identitário, somos de direita, somos de esquerda, somos liberais ou somos outra coisa qualquer, pode motivar os cultores do género, estudiosos e politólogos, mas deixa o eleitorado indiferente. As pessoas querem algo que lhes transforme a vida para melhor, uma aspiração, não um manual de ciência política.

 

Se há coisa comum aos partidos democratas-cristãos europeus foi terem percebido isso, conhecidos que são pelo pragmatismo: tornaram-se primeira escolha no momento em que se transformaram em partidos abertos e federadores de todo o espaço do centro e da direita, sem nunca terem perdido a matriz que os fundou. É esse o caminho de abertura que estamos a trilhar no CDS e nele devemos continuar.

 

Advogado

 

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mais votado Hélder Há 3 semanas

O CDS quer mudar a vida das pessoas oh oh oh oh meia dúzia de ricaços que vão à missa e rezam para que os pobres não ganhem mais de 500 euros. O partido dos falsos, o partidos das tias, o partido dos betos, o partido da mentira, o partido impotente, o partido da gargalhada, o partido mais cínico do parlamento. O CDS é o pior partido para o centro porque a única preocupação que tem é em defender os ricos. E quanto mais ricos, mais os defende. O CDS achou quem tem uma casa de 600 mil euros é classe média mas que 500 euros é muito de salário mínimo. Quem pode levar um partido destes a sério?

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Os partidos políticos vistos d fora do País são todos de esquerda.Nâo há direita em Portugal a não ser na retórica dos extremistas que por acaso vivem em democracia mas não são na sua génese representativos ds democracias ocidentais.O ideal, economia alta,liberdades totais restauradas.Fisco menor

Hélder Há 3 semanas

O CDS quer mudar a vida das pessoas oh oh oh oh meia dúzia de ricaços que vão à missa e rezam para que os pobres não ganhem mais de 500 euros. O partido dos falsos, o partidos das tias, o partido dos betos, o partido da mentira, o partido impotente, o partido da gargalhada, o partido mais cínico do parlamento. O CDS é o pior partido para o centro porque a única preocupação que tem é em defender os ricos. E quanto mais ricos, mais os defende. O CDS achou quem tem uma casa de 600 mil euros é classe média mas que 500 euros é muito de salário mínimo. Quem pode levar um partido destes a sério?

Como dizia o outro Há 3 semanas

Lá para o ano 3000 a direita volta ao pote