Jorge Marrão
Jorge Marrão 13 de setembro de 2017 às 20:20

Manifestações orçamentais

Não há manifestações de contribuintes atuais, nem futuros. Há apenas manifestações dos que vivem e sobrevivem com a despesa pública.

A FRASE...

 

"Marcelo Rebelo de Sousa recebeu ontem o bastonário da Ordem dos Médicos que lhe deu conta das suas preocupações."

Jornal Público, 12 de setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

Não há manifestações de contribuintes atuais, nem futuros. Há apenas manifestações dos que vivem e sobrevivem com a despesa pública. O que pode acontecer de melhor a um político é ocupar a cadeira do poder. Não para fazer política estratégica e séria, mas porque sabe que é temporariamente "dono" dos recursos do país. E o dinheiro permite comprar eleitorados e silenciar revoltas ou desencantos. A revolução de Abril fez-se para promover a liberdade política do cidadão e a libertação de um Estado tentacular. Passados 44 anos, a liberdade económica do cidadão é mais reduzida para todos: dependemos de um Estado (impostos, despesa e regulação) em que os partidos se revezam a ocupar o poder, não para o exercer com um desígnio de nos libertar desta conceção de Estado, mas para o usar a favor de se manterem no poder. A distribuição de recursos feita em qualquer Orçamento do Estado (tirar dinheiro a uns portugueses através de impostos/taxas para dar a outros através de despesa pública) é por excelência o momento reivindicativo da sociedade civil e dos servidores do Estado. A sociedade e a política definem-se pelas suas escolhas de política orçamental e pela forma como as fazem. O défice e a dívida também são uma escolha: atirar o problema para a frente. Os jovens portugueses irão compreender melhor a história orçamental, quando vieram a sofrer com a herança política da dívida. Os atuais sigam a máxima de Tolstói: os grandes guerreiros são a paciência e o tempo.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

 

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mais votado Anónimo 14.09.2017

Bom artigo, muito lúcido. A política em Portugal, sobretudo neste século, é acima de tudo um jogo de tráfico de influências que beneficia uns poucos em detrimento da grande maioria. O resto é para enfeitar e/ou disfarçar ...

comentários mais recentes
Desanimado 18.09.2017

Ó jorginho deixa-te lá de dramatismos e vê os dados como eles são:
https://www.dinheirovivo.pt/economia/despesa-publica-protecao-social-leva-a-maior-fatia-dos-orcamentos/
O que dizes tu de um país por exemplo a Dinamarca que nos ultrapassa largamente em despesa pública?
Não sejas marreta!! Acredito que estejas chateado por a geringonça te pôr a pagar mais impostos. Mas iam tirar a quem? Aos pensionistas?Que alguns nem sei como sobrevivem?

Anónimo 14.09.2017

EXCELENTE!!!!!!
Politiqueiros de aviário, aldrabões,..

Mr.Tuga 14.09.2017

Certo!
Politiqueiros de TRAMPA e sem VISÃO!!
Carreiristas de partidecos sempre a mamar da teta do "estado"... Umas NULIDADES! Mas também com um povao tao bronco, sem civismo e mal formado.....

Anónimo 14.09.2017

As pessoas não se consideram como consumidores de uma multiplicidade de bens e serviços. Identificam-se antes como produtores de um bem ou serviço que assegura a sua subsistência. Desta forma é impossível que a sua racionalidade se oriente para o "bem comum", já que é dirigida pelo seu interesse ...

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