Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de julho de 2017 às 19:38

Manobras militares

Clausewitz dizia que a guerra era muito parecida com um jogo de cartas. Para ele, ninguém iniciava uma guerra sem ter uma ideia clara sobre o que pretende alcançar e como deve fazê-lo.

Ou seja, a primeira ideia é um objectivo político; a segunda, um objectivo operacional. A política, mesmo no tempo do Twitter e do Facebook, guia-se pela mesma lógica. Quem o não fizer arrisca-se a ficar em campo aberto e a ser abatido sem dó nem piedade. Se Tancos demonstrou uma total falta de concretização de estratégia militar, um vírus que rapidamente contaminou os responsáveis políticos e a chefia do Exército, a nível político os tempos são de limpar armas. Os objectivos de cada líder são díspares. O de Jerónimo é resistir. O de Catarina é manobrar. O de Assunção é atacar. O de António Costa é esperar. O de Passos Coelho é mais difícil de identificar. O líder do PSD tem optado pela mais difícil estratégia de oposição: o alpinismo político. As autárquicas revelarão se chegará ao cume do Evereste ou se se estatelará cá em baixo.

 

Por trás de Tancos, de Pedrógão e das demissões dos secretários de Estado, tudo a olhar para as manobras de Outono, a seguir às autárquicas. Aí se começará a perceber melhor que objectivos políticos moverão os principais generais em campo. Por isso, António Costa não está em pânico: a pressa é inimiga das melhores decisões. E os resultados das autárquicas determinarão o que quer fazer a seguir. No caso, se quererá eleições antecipadas. Só uma maioria clara permitirá impor o seu plano. Que passará muito pelo previsível clima económico mais desafogado, que será propiciado pelas instâncias internacionais. As obras públicas virão a seguir. Até lá discutem-se questão de pantomina: se o gin tónico sabe melhor com ou sem pepino ou se o cozido à portuguesa sabe melhor com couve nacional ou com couve-de-bruxelas. A irrelevância típica do debate partidário nacional vai assim continuar durante o Verão. À espera do resultado final do jogo de cartas: quem ganhará as autárquicas?

 

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