Fernando  Sobral
Fernando Sobral 09 de junho de 2017 às 09:43

Manolo, o bombo desaparecido e o banco Popular

O mais conhecido adepto da selecção espanhola de futebol, Manolo, está desfeito. O seu célebre bombo, que o tem acompanhado pelo mundo a marcar o ritmo das jogadas dos espanhóis, foi roubado. É mais uma crise emocional do que financeira.

Ao contrário do que se passou no Popular, o banco alvo de acção do BCE e adquirido pelo Santander por um euro. No "El País", Miguel Ángel Noceda recorda que há 40 anos, nas vésperas das primeiras eleições democráticas em Espanha, Luis Valls-Taberner, conhecido como o "banqueiro do Opus Dei", que controlava o Popular, dava ordem para que o banco emprestasse dinheiro ao Partido Comunista Espanhol para este financiar a campanha. No "El Mundo", Vicente Lozano escreve: "O banco Popular da sua penúltima temporada - a última foi a desastrosa que conduziu a este final - foi um banco de autor. Ou melhor, de autores. (…) Valls foi um grande presidente de banco. Com o seu metro e oitenta tinha uma figura imponente, era elegante, inteligente e culto. Como Termes, ambos eram membros do Opus Dei, o que contribuiu para criar em torno do Popular uma aura misteriosa. (…) Hoje, dos sete grandes bancos que almoçavam regularmente na sede do Banco de Espanha, só restam dois: Santander e BBVA".

No "La Vanguardia", Ramon Aymerich opina: "A Europa existe. A inércia e a rotina impedem que percebamos as mudanças que se produzem ao nosso redor. Mas, nalgumas ocasiões, a Europa força a máquina e materializa. Para indicar onde está a soberania. Quem manda. Pôde ver-se com o Popular. (…) Uma última ironia. O Popular foi desde a sua existência o maior representante das finanças do Opus Dei. (…) É curioso que tenha sido o norte protestante e calvinista, inspirado na leitura da auto-responsabilidade mais estrita, que tenha determinado como tinha de morrer o mais católico nascido no Sul do continente". Já Gemma Martínez, no "Expansion" acrescenta: "De modelo de gestão a modelo de fracasso".


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