Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 24 de janeiro de 2018 às 21:09

Marcelo: alterações climáticas

Levamos dois anos de presidência de Marcelo Rebelo de Sousa que mudaram o clima em Portugal. Tudo será coincidência, pelo menos quase tudo, mas trata-se de felizes coincidências.

Com Marcelo, saímos do procedimento por défice excessivo, António Guterres foi eleito secretário-geral da ONU, Portugal ganhou o Europeu de futebol, Salvador Sobral ganhou a Eurovisão, as agências de "rating" vão-nos tirando de patamares indesejáveis, Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo, a economia cresce cerca de dois e meio por cento, o turismo está a bombar, o desemprego desce, a Madonna e outras "stars" vêm viver para Portugal. Referi, nos factos mencionados, vários em que o Governo não tem qualquer tipo de intervenção, para assim não se abrir o eterno debate sobre quem tem mais mérito, se este Governo se o anterior.

 

O que importa é que houve mesmo alteração climática, com o otimismo a subir quer nos consumidores quer nos investidores, com a inerente melhoria do clima económico. Marcelo é como aqueles remédios milagrosos que fazem bem a tudo, quer aos que estão a passar por momentos tristes ou dificuldades quer aos que estão em tempo de celebração ou de euforia. Se alguém chora, Marcelo conforta, se alguém ri, Marcelo exalta. Trata-se de um fenómeno político sem precedentes na democracia portuguesa. Os anteriores Presidentes, à exceção de Mário Soares, apostaram sempre na distância, no formalismo, no ar mais ou menos circunspecto. Mário Soares era informal na sua maneira de ser e de estar, mas tinha, sem dúvida, uma pose mais institucional. Marcelo deve ser, muito de longe, o Presidente que mais tempo passa fora do Palácio de Belém. Vaticinei isso mesmo junto daqueles com quem mais falo, por o conhecer há muitos anos: avisei que Marcelo estaria muito pouco tempo entre as paredes do palácio presidencial e quereria estar, sempre que possível, na rua. Marcelo, hoje em dia, faz aquilo que gosta e tem a sorte - e teve o mérito - de ter sido  eleito para isso. Marcelo discursa, Marcelo brilha, Marcelo inspira, Marcelo brinca, Marcelo beija, Marcelo dá palmadas nas costas, mas, acima de tudo, em todas as circunstâncias, como patriota que é, faz o que entende ser o exigido pelo bem da sua pátria.

 

 Este ano é o ano em que passa a primeira metade do mandato e, consequentemente, em que fica a faltar menos de metade dos cinco anos estabelecidos na Constituição. É, sem dúvida uma grande sorte, para um governo, seja qual for, ter um Presidente que cria um clima como o clima de Marcelo. Com Marcelo faz sempre bom tempo, chova ou faça sol. O povo costuma dizer que o sol quando nasce é para todos, neste caso, quer para o Governo quer para a oposição. Nesta segunda metade do mandato, quem não tiver sol e se sentir desprotegido, vai logo reclamar. Será que o clima vai continuar igual? Ou, como dizem os meteorologistas, está cada vez mais imprevisível? 

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico