Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 20 de setembro de 2012 às 23:30

Mas porquê tanta obsessão com o consumo?

Não há "bicho careta" neste país que não critique as medidas de austeridade por causa do efeito que têm sobre o consumo.
Segundo esta corrente, não se pode reduzir o consumo porque acelera a contracção da economia. Que por sua vez gera desemprego, que por sua vez faz cair as receitas dos impostos, agravando o défice.

É estranho que nem os mais informados insistam nesta "fixação". Porque têm obrigação de saber que o nosso ajustamento tem de passar pela quebra do consumo. Não há volta a dar: com PSD e CDS no poder, com PS no poder ou com qualquer outro partido. Quando não se tem rendimento para financiar o consumo, que é o que se passa em Portugal (e passou-se nos últimos dez anos), a solução é só uma: reduzi-lo. Isso tem implicações graves para a economia, nomeadamente na redução da actividade económica e no desemprego? Claro que tem. Mas é inevitável: porque já ninguém nos empresta dinheiro para mantermos o nível de consumo que tivemos durante uma década.

Quanto mais tempo levarmos a entender o problema, pior. Aliás, se há prioridade que devíamos ter é assumir essa inevitabilidade e reconverter a economia a todo o gás (protegendo os desempregados enquanto se faz a reconversão): numa economia como a nossa, o consumo não pode pesar 2/3 do PIB. Isso significa que o sector "interno" tem de desaparecer? Não. Mas tem de se adequar ao nível de procura consentâneo com o equilíbrio da conta corrente. Se isso não acontecer, daqui por quatro anos voltaremos a ter défices insustentáveis da balança coerente e... o regresso da Troika (por alguma razão fomos à falência três vezes em 34 anos...). É assim tão difícil perceber isto?

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mais votado Joao Santos Lucas 15.10.2012

Pagar as dividas e obrigacao de qualquer devedor. Austeridade e uma via eficaz ate determinado limite. A espiral recessiva destruindo segmentos significativos da rede empresarial tem efeitos nefastos que se prolongarao por muitos ciclos economicos. A criacao de novas empresas ou o redireccionamento das existentes para aumentar as exportacoes levara muitos anos porque nao dispoe de instrumentos politicos eficazes para provocar e apoiar essa mudanca. Facil me e comparar o modelo seguido em Portugal com o de Singapura que ultrapassou crises graves com um conjunto de instrumentos politicos bem eficazes. Certo e que a competencia na formulacao de politicas em Singapura nao tem nada a ver com Portugal. A preparacao academica dos membros do governo de Singapura bem como as dos directores gerais e lideres das empresas publicas e privadas nas melhores escolas dos Estados Unidos e Reino Unido certamente que terao contribuido para esse resultado. Mas Singapura nao tem problema em consultar estrategas economicos internacionais para criticarem os seus planos e estrategias e para os melhorarem. Sao gente mais humilde que querem resultados e nao estao preocupados com a autoestima. JOAO SANTOS LUCAS (SINGAPURA)

comentários mais recentes
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miro7 Há 2 semanas

Vê quantos carros de luxo foram comprados este ano, vá lá explica!

topi 29.11.2014

Pelos comentarios expostos percebi que a maior parte dos comentadores não sabe no pais que vivemos. Esquessam os partidos ou proximos governos, a despesa publica tem que baixar 10.000 milhoes de euros seja de que maneira for, ninguem vai pagar as nossas dividas, temos que ser nós (PORTUGUESES) , O Natal é breve mas não acreditem no Pai Natal. Se quiserem dar ao trabalho de saberem as contas do pais aconselho (gratis) TVI 24 Medina Carreira Segundas Feiras 21H30, contas com numeros, (MATEMATICA) não falha.

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