Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 23 de maio de 2017 às 23:05

Mercado sénior em Portugal

Com a massiva emigração de jovens e a baixa natalidade, ela própria fruto da saída de jovens ao longo dos anos, a sociedade portuguesa tem vindo a ganhar um perfil etário marcadamente envelhecido.

Por outro lado, na última década temos vindo a assistir ao aumento do número de reformados de outros países que, face aos baixos salários dos serviços e aos reduzidos impostos que pagam, escolhem Portugal como local de habitação semipermanente. Este facto reforça o grupo dos mais idosos na população portuguesa.

 

Não sendo possível reverter em poucos anos este perfil populacional, nem sequer sendo visível vontade política de estancar esta tendência demográfica, as empresas devem adaptar a sua oferta ao mercado sénior que se torna pouco a pouco dominante.

 

Quais as características deste mercado em Portugal? Uma primeira constatação é que as pessoas com 65 anos ou mais representam mais de 20% do total da população. É, pois, um dos grupos etários mais numerosos no mercado. Um em cada cinco portugueses. E ainda mais importantes se considerarmos os adultos capazes de fazer as suas próprias compras.

 

A segunda constatação é que se trata de um grupo com baixo poder de compra, em que parte considerável vive na pobreza enfrentando carências materiais de vária ordem. Basta pensar que a pensão média em Portugal se situa abaixo dos 380 euros e que a pensão mínima se situa em torno dos 200 euros e o limiar da pobreza para 2015 se quedava nos 439 euros.

 

A terceira constatação, parcialmente decorrente da segunda, é que se trata de mercado com pouca mobilidade. Não dispondo de rendimentos suficientes para se deslocar de carro ou de transportes públicos, grande parte desta população fica, no século da mobilidade, confinada à sua zona de residência.

 

Uma outra constatação é que esta população dispõe de muito tempo livre que pode ser mobilizado para diversas atividades de lazer, voluntariado ou de consumo.

 

Com estes factos em mente fica claro que as ofertas desenhadas para esta população devem procurar responder a estes requisitos. O sucesso das pequenas mercearias e comércios locais animadas por chineses e nepaleses parece indicar que a proximidade e o baixo custo são elementos essenciais e a qualidade dos produtos, luxo dispensável. Bem ao contrário de certos mitos empresariais.

 

Há uns anos uma promissora cadeia portuguesa de lojas com produtos práticos para pessoas idosas não surtiu efeito e fechou exatamente porque não teve em conta as características do nosso mercado.

 

Convém ter igualmente em mente que os de mais de 65 anos não são uma categoria homogénea e que mesmo em termos etários é vulgar, noutros mercados, dividir este grupo nos jovens idosos ("young old") e nos idosos idosos ("old old"). O primeiro com limite nos 75 anos e o segundo a partir dessa idade.

 

Este é um mercado que cresce na sociedade portuguesa e se as empresas não se quiserem confinar à exportação ou a um mercado doméstico de adultos que cada vez é mais exíguo devem optar decididamente por adaptar os serviços que oferecem aos mais idosos.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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