Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 24 de outubro de 2017 às 21:40

Meritocracia

Em Portugal, a meritocracia surge tantas e tantas vezes como uma palavra vã. Os melhores quadros, os melhores cientistas, os melhores gestores, saem do país e singram nas empresas, nas universidades, nos laboratórios do estrangeiro.

Em contrapartida, nas instituições portuguesas grassa a incompetência, o compadrio, o nepotismo e a corrupção. Evidentemente com muitas e honrosas exceções, mas naturalmente algumas andorinhas isoladas não fazem a primavera.

 

Ficou famoso o episódio do empresário português que, aproximando-se da idade da reforma, anunciou aos quatro ventos que a sua sucessão seria feita na base no mérito e não de qualquer outro fator. A imprensa exultou a sua atitude louvada e apontada como exemplo a tantos outros que não a seguem.

 

Depois de grande ponderação privada e de intensa polémica mediática nos meios de comunicação, o referido empreendedor anunciou "urbi et orbi" que a sua escolha recaía no melhor gestor que encontrara e este, pasme-se, era o seu filho mais velho!

 

No vasto mundo de sete mil milhões de pessoas, o mais qualificado gestor, o mais hábil estrategista, o mais carismático líder, o mais engenhoso negociador, coincidia com o seu filho! E quando se esperava do público uma gargalhada mordaz, ecoou em Portugal uma enorme salva de palmas das elites governantes.

 

Eis na sua forma mais acabada a meritocracia no nosso país. E, no entanto, ela é fundamental para o nosso desenvolvimento social e económico.

 

No campo do marketing, também a meritocracia é fundamental para assegurar que as estratégias empresariais se adequam aos desejos dos consumidores, e são viáveis e sustentáveis no contexto cultural, financeiro e ambiental em que se inserem.

 

Vilfredo Pareto, o economista e sociólogo italiano do início do século XX, identificou como uma das principais causas de convulsão social a acumulação de elementos incompetentes entre as elites governantes.

 

Quando assistimos a incêndios que vitimaram mais de uma centena de pessoas, quando recordamos as nomeações de dirigentes sem qualificações, quando se sabe que a situação explosiva que este ano deflagrou era catástrofe há muito anunciada, percebemos que a incompetência mata e que a meritocracia está ausente dos centros de decisão e análise.

 

O que o país precisa é de Trabalho, Honestidade e Competência.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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