Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 11 de janeiro de 2018 às 19:50

Mesmo sem motivos

O mapa - sabe-se hoje -, entre outras consequências, subiu a testosterona dos soldados, a química da confiança, e baixou o cortisol, diminuindo o stress e acabando com o pânico.

Corria a I Guerra Mundial e um regimento de soldados húngaros, do Império Austro-Húngaro, estava acampado nos Alpes. O seu líder, um jovem tenente, enviou então uma patrulha de quatro soldados para explorar as redondezas.

 

Dali a poucas horas começou a nevar e assim continuou durante dois dias. Os quatro soldados não estavam vestidos para a neve, nem tinham alimentação para dois dias. Nevou os dois dias e os soldados não voltaram.

 

Ao terceiro dia a neve parou e dali a umas horas a patrulha dos soldados regressou. Estavam exaustos e foram socorridos. Na enfermaria, o tenente perguntou então ao sargento, líder da patrulha: "O que vos aconteceu? Como sobreviveram estes dias na neve?"

 

Com dificuldades, o sargento contou que poucas horas depois de ter começado a nevar estavam perdidos e ficaram desesperados. O pânico tomou conta deles. Mas às tantas um dos soldados encontrou no bolso das calças um mapa dos Alpes! "Com o mapa" - disse o sargento - "era uma questão de tempo, sabíamos que chegaríamos ao acampamento. Então, encostámo-nos a uma árvore para nos aquecermos, da neve íamos conseguindo alguma água e esperámos… Ao terceiro dia a neve parou, agarrámos no mapa e cá estamos."

 

"Deixa-me ver esse mapa", disse o tenente. Abriu o mapa e exclamou: "Mas isto não é um mapa dos Alpes. É dos Pirenéus!" Foi assim. Era o mapa errado, mas tinha dado aos soldados a confiança e o estímulo para avaliar bem a situação e tomarem boas decisões. O mapa - sabe-se hoje -, entre outras consequências, subiu a testosterona dos soldados, a química da confiança, e baixou o cortisol, diminuindo o stress e acabando com o pânico. Mudou a situação. Em rigor, chegaram ao acampamento porque acreditaram que chegariam.

 

Acreditar, mesmo sem motivos, pode ser decisivo. 

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