Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 22 de Novembro de 2016 às 19:50

"Mindset List"

"The Mindset List" é hoje para muitos publicitários americanos um repositório de informação indispensável para perceber as referências de cada geração de americanos.

Trata-se simplesmente de uma lista de factos que cada nova fornada de alunos que chegam à universidade testemunharam ou não testemunharam e que para eles é desconhecido ou está no passado distante.

 

Inicialmente foi concebida por dois professores, Ron Nief e Tom MacBride, do Beloit College para ser partilhada pelos docentes para os ajudar a perceber as referências mentais dos alunos que lhes entravam nas salas de aula do primeiro ano e a ajustar o discurso à nova plateia.

 

Por exemplo, a lista de 2002, que se refere a jovens que nasceram no ano de 1980, lembra que estes não conheceram a era Reagan nem a Guerra Fria, o que para eles são acontecimentos, que sempre viveram sob a existência da SIDA, não conheceram os álbuns de vinil e que a expressão "soa como um disco riscado" não lhes diz nada, que a saga Star Wars lhes parece um filme desajeitado nada que pareça futurístico, nunca viram uma televisão com menos de doze canais, a guerra do Vietname é um facto histórico de que ouviram falar na escola, etc., etc.

 

São factos que nos ajudam a perceber as referências de cada geração, que factos lhes são contemporâneos e que factos consideram passado distante ou história antiga. Ao comunicar com cada grupo etário é importante perceber o valor afetivo dos acontecimentos mencionados e o conhecimento que deles tem cada pessoa.

 

Por exemplo, em Portugal, as gerações nascidas depois de 65 não têm o conhecimento direto do 25 Abril e não lhe atribuem o valor emocional, positivo ou negativo, semelhante ao que as gerações mais velhas que o viveram intensamente sentem.

 

As listas americanas não se aplicam totalmente a Portugal, quer pelo nosso atraso tecnológico e cultural quer pelo diferente tipo de organização social. Da lista de 2002 é bem patente que os jovens portugueses que entraram na universidade nesse ano se lembram da televisão com menos de doze canais - o terceiro e quarto canais só foram para o ar em 1992 e só muito mais tarde se generalizou o acesso ao cabo com muitos canais. Por outro lado, existem factos políticos portugueses importantes, assim como factos mais especificamente europeus que não entram nas listas americanas que são muito autocentradas.

 

Não existe nada semelhante em Portugal. É importante para o mundo da publicidade e da comunicação, mas também para a investigação em ciências da educação, sociologia, ciência política e de outras ciências sociais. Vários livros foram já escritos baseados nestas listas.

 

Poderia ser um bom projeto para a Fundação Francisco Manuel dos Santos. Fica a sugestão.

 

Economista

 

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