Rita Castro Dias
Rita Castro Dias 16 de Outubro de 2016 às 16:22

Monsanto e Bayer - O próximo gigante monopolista?

A Monsanto é conhecida como sendo um gigante do sector dos produtos agrícolas. Sediada nos EUA, esta empresa que controla cerca de 90% do mercado americano de sementes geneticamente modificadas, tem sido alvo de bastantes críticas.

O mês de setembro de 2016 será sempre recordado como o mês em que se fez História no mundo de M&A. Isto porque foi anunciada uma aquisição no valor recorde de 66 mil milhões de USD que criará o maior "player" no mercado dos "agro-chemicals" alguma vez visto: a Bayer-Monsanto.

 

Já por si, a Monsanto é conhecida como sendo um gigante do sector dos produtos agrícolas. Sediada nos EUA, esta empresa que controla cerca de 90% do mercado americano de sementes geneticamente modificadas, tem sido alvo de bastantes críticas. As cerca de 1700 patentes detidas pela gigante deram-lhe margem suficiente para aumentar os preços das sementes e destruir pequenos produtores agrícolas em diversas localizações na Índia e nos EUA. Devido a estas práticas, a Monsanto é conhecida pela sua agressividade no mercado e más condutas de responsabilidade social.

 

Esta aquisição vem, por isso, levantar muitas questões quanto aos possíveis efeitos de destruição e de concorrência desleal junto de pequenos participantes do mesmo mercado. Há que salientar que, no entanto, a Bayer-Monsanto não está sozinha nesta tendência de consolidação no mercado dos químicos agrícolas. Tomemos como exemplo as fusões da Dow Chemicals com a Dupont e a recente aquisição da suíça Syngenta pela ChemChina.

 

Caso as autoridades da concorrência deem luz verde à constituição destas potências, corre-se o risco de se criar uma situação de oligopólio. Não é de estranhar que as respetivas autoridades sejam bastante minuciosas na análise das consequências tanto para os consumidores como para os restantes concorrentes do mercado dos químicos.

 

Num cenário de não aprovação pelas autoridades da concorrência, a farmacêutica assegurou o pagamento de uma "break-up fee" de 2 mil milhões de USD (3% do valor da aquisição). Tendo em conta que aquisições semelhantes verificaram "break-up fees" superiores (6% do valor da aquisição), tal poderá refletir o receio da Bayer de que este negócio seja bloqueado por questões de "anti-trust".

 

A ameaça de um oligopólio tem vindo a criar um sentimento de preocupação junto dos pequenos produtores agrícolas. A proliferação de patentes dos três grandes oferece aos mesmos o poder de aumentar preços, esmagando assim pequenos produtores agrícolas que não possuam alavancagem financeira suficiente. Outro risco que poderá emergir com esta coesão do mercado, são as sinergias originadas por um possível consórcio. Este panorama gerará influência para criar políticas que os beneficiem à custa dos consumidores e pequenos produtores, nomeadamente a agilização do processo de entrada dos produtos geneticamente modificados no mercado europeu. Finalmente, estas fusões poderão levar a uma desaceleração gradual nas inovações num mercado que está em constante desenvolvimento.

 

É por cenários bastante plausíveis como este que várias vozes se têm vindo a erguer contra este tipo de fusões, especialmente encabeçados pela prestigiada "National Farmers Union", que tem tentando travar a legalização destas transações. Estima-se que com a concretização deste acordo, a Bayer-Monsanto criará sinergias que equivalerão a 29% da quota de mercado mundial de sementes e cerca de 24% do mercado global dos químicos e pesticidas.

 

Por agora, a questão é: conseguirá a Bayer criar um gigante amigável e sustentável com vista à preservação de um mercado que em muito beneficia da diversidade e quantidade de intervenientes?

 

Membro do Nova Investment Club

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Carlos Miguel Há 3 semanas

Bravoo!!

Dinis Filipe Há 3 semanas

nao abram a pestana nao.... bifosato com fartura na comida ate a desgraca final.