Fernando  Sobral
Fernando Sobral 23 de janeiro de 2018 às 19:31

Muda-se de companhia?

Entre o óleo de fígado de bacalhau, o óleo de rícino e a poção mágica de Panoramix, que dá poderes extraordinários a Astérix e Obélix, poucos políticos têm dúvidas sobre qual escolher. Todas podem fazer bem, mas algumas sabem mal.

E há algumas que trazem a vertigem do açúcar. Neste ano e meio que nos separa das próximas legislativas, os partidos procuram a poção perfeita. O PS quer a que lhe permita manter-se no poder, o BE, depois de ter descoberto o sabor do mel, quer continuar a degustá-lo, o PSD elegeu um novo líder para tentar reentrar no círculo das decisões e das distribuições. Só CDS e PCP ainda buscam descobrir se preferem um pouco mais de oposição ou um pouquinho de poder. Rui Rio surge como o pavão do PSD que evolui defronte de António Costa, para o convidar para a sua dança romântica. Resta saber se os seus evidentes talentos de galã terão um epílogo positivo para o PSD ou se este continuará a resvalar em termos de votos e de poder. António Costa, que já comprou toda a poção mágica colocada no mercado por Panoramix, tem uma certeza aparente: "Quando se está bem acompanhado, não se muda de companhia." É uma prova de amor ao que alguns chamam de "geringonça", mas é também o seu reverso: e se, de um momento para o outro, Costa descobrir que está mal acompanhado? Muda-se de companhia? Ou vale mais só do que mal acompanhado?

 

O acordo existente, mesmo neste país com um importante défice de formação em matemática, tornou-se uma certeza estatística. Aguenta-se até 2019. Mas, e depois? A questão para o PS não é o BE. Este gosta da vida na corte. O problema é o PCP. Depois da derrota autárquica, o sector sindical (mais radical) fez soar as balalaicas. O que se tem passado na Autoeuropa, e o regresso eufórico de Arménio Carlos e de Mário Nogueira, introduziu uma variável anímica e política importante. Não será possível ao PS acomodar no seu leito um PCP hipocondríaco. As alianças fazem-se depois das eleições. Mas há quem já tenha comprado, como Rui Rio, livrinhos de matemática.

 

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Anónimo 24.01.2018

Há um pequeno detalhe que muito escapa. Em locais de droga, q são de pobreza, os pobres estão do lado dos traficantes e até trabalham para eles. Aqui vive-se do voto e dos miseráveis, pelo q, convém a alguns, q sejam muitos e dá-se-lhes aumentos, ridículos.

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