Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 17 de janeiro de 2017 às 21:52

Museus de marcas

Em Portugal, é apenas quando as empresas acabam, depois de fecharem as portas, que as autoridades públicas se preocupam em organizar os destroços e promover um museu de arqueologia industrial.

A relação de uma marca com os seus clientes passa pela memória que estes vão acumulando das ações efetuadas, das campanhas gizadas, dos produtos oferecidos, da experiência reunida ao longo do tempo. Sem esta memória partilhada, as relações tornam-se efémeras e movediças e só com ela se constrói a confiança e a fidelidade.

 

O capital de relacionamento, consubstanciado na memória de um percurso comum, é uma vantagem competitiva contra os novos concorrentes que tentam entrar em mercados onde já existem firmas com história. Uma vantagem competitiva que convém maximizar.

 

Justamente os museus ajudam a organizar, a fixar e a avivar essa memória coletiva e a disponibilizá-la a clientes, colaboradores, fornecedores e a toda a comunidade envolvente.

 

Por isso, cada vez mais empresas optam por criar os seus próprios museus. Uma conhecida marca automóvel alemã tem o seu museu na cidade de Estugarda, instalado num moderno edifício de nove andares. Aí se documentam os 130 anos de história da empresa, através da exposição de mais de 150 veículos e 1.500 peças. Para quem não quiser ou puder ir à Alemanha existe a possibilidade de visita virtual através da internet.

 

Em Portugal é apenas quando as empresas acabam, depois de fecharem as portas, que as autoridades públicas se preocupam em organizar os destroços e promover um museu de arqueologia industrial.

 

Algumas empresas, muito poucas, têm museus próprios, mas em geral seguem a mesma errada abordagem, falhando em entender a ligação entre o museu e os atuais clientes, concentrando as exposições num passado tão longínquo que morto e irrelevante para a atualidade. Isto porque descuidam as necessárias pontes que ligam o passado ao presente e que ao aclarar a linha de continuidade dão sentido histórico, explicam e reforçam a atual relação com a comunidade e com os seus clientes.

 

Muitas vezes estes museus são mantidos por fundações completamente desligadas do marketing da empresa. Um erro de organização que gera desarticulação e desperdício de esforços de comunicação.

 

Portugal tem algumas empresas, públicas e privadas, que se podem orgulhar do seu historial e que o deviam partilhar de forma efetiva e produtiva connosco. Para isso é preciso um outro olhar de marketing, mais centrado nos conteúdos e nas pessoas, para alterar a abordagem aos museus das marcas entre nós.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

 

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