Rui  Peres Jorge
Rui Peres Jorge 15 de novembro de 2017 às 17:39

Na economia, a geringonça já está safa. E nós?

Já só uma hecatombe travaria a que se prepara para ser a legislatura com o maior crescimento desde a entrada no euro. Sendo natural que o Governo e os partidos que o suportam estejam satisfeitos, isso não significa que tenham conseguido pôr em marcha as alterações de que Portugal precisa. Longe disso.
Há dois anos poucos apostariam neste sucesso. O governo beneficia do facto de após grandes choques recessivos as retomas tenderem a ser fortes (já foi assim nos anos 1980) e do crescente dinamismo europeu, mas é justo concluir que as suas escolhas foram decisivas na recuperação da actividade económica e da confiança interna e externa.

Na frente orçamental, Teodora Cardoso diz que a geringonça cumpre as regras europeias pelos mínimos - o que à esquerda é com certeza um bom elogio -, as metas de défice têm sido atingidas, e a dívida pública vai baixar de forma significativa este ano e no próximo; no sistema financeiro, a prioridade dada à recapitalização e estabilização da banca foi uma aposta ganha, respondendo a uma das mais graves falhas do anterior Executivo; e o reforço do rendimento das famílias num contexto de crescimento ajudou a reequilibrar a economia interna, sem gerar défices externos.

Parece seguro afirmar que a geringonça está safa. Mas, e nós, famílias e empresas?

Aqui a avaliação é mais arriscada para os portugueses e menos positiva para o governo. É que se a consolidação orçamental pode ter sido amiga do crescimento no curto prazo, as perspectivas de médio e longo prazo continuam sombrias.

Os serviços públicos estão esclerosados, após anos de austeridade e a baixa exigência de gestão, como ficou evidenciado nos incêndios deste Verão, no mau desempenho dos hospitais, e até numa redacção frágil da proposta de Orçamento do Estado para 2018. Sem um Estado mais eficiente e de confiança, será difícil imaginar um Portugal dinâmico no longo prazo. O mesmo se pode dizer da capacidade de inovar na economia global com trabalhadores e empresários que continuam pouco qualificados em termos internacionais.

E se é certo que o mercado de trabalho está a recuperar, e que muito desse emprego tem sido criado com contratos permanentes, continuam por garantir níveis mínimos de qualidade e estabilidade laboral para uma parte importante dos trabalhadores e a taxa de desemprego permanece elevada: faltam 300 a 400 mil empregos face ao nível pré-crise, e em 2018 estaremos ainda no top-10 das economias avançadas com mais desemprego, prevê o FMI. Ao que se junta uma sociedade cada vez mais envelhecida sem que se vislumbre qualquer aposta no apoio à natalidade.

Na desigualdade de rendimentos, uma das bandeiras da esquerda, as comparações internacionais continuam a envergonhar o país, com o governo a pensar que a resposta está na via fiscal, quando o problema é bem mais grave, como mostrou recentemente um estudo do FMI.

Mário Centeno, que já terá percebido as limitações governativas da geringonça, tenta agora convencer-nos que a descida de IRS e o descongelamento das carreiras são reformas estruturais. Mas não só é (muito) discutível que se possam descrever como tal (lá iremos num artigo futuro), como perante o diagnóstico relativamente consensual dos problemas, um governo tem apostar em mais do que uma política de rendimentos e de normalização financeira.
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mais votado Anónimo Há 4 semanas

Como o Estado flagelado pelo mais inútil excedentarismo sindicalizado de carreira e o mais injustificável sobrepagamento não dispõe de meios aéreos de suporte, pessoas inocentes são cravejadas de tiros na via pública. Como o Estado flagelado pelo mais inútil excedentarismo sindicalizado de carreira e o mais injustificável sobrepagamento não tem meios aéreos de suporte ou meios de limpeza de mancha verde altamente inflamável, pessoas morrem carbonizadas na via pública. Como o Estado flagelado pelo mais inútil excedentarismo sindicalizado de carreira e o mais injustificável sobrepagamento não dispõe de equipamentos de alarme, identificação, protecção e vigilância de edifícios, pessoas da via pública podem roubar até armas que são do Estado.

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CS Há 4 semanas

Medidas houve que foram muito positivas, e permitiram um pouco de "ar" no imediato. Mas caímos na "palhaçada" de admitir que já tudo está bem, ou pior, afinal a crise não era crise, mas apenas "má governação". É esta irresponsabilidade e incapacidade de ir além do curto-prazo que nos condena.

Mr.Tuga Há 4 semanas

Que "mansinho".....
Estes xuxas e geringonços NADA FIZERAM senão reverter, repor e aumentar DESPESA! Tudo com o auxilio de ventos favoráveis e que em nada contribuiu a sua gestão....
Já dizia o outro: com este crescimento o DEFICE devia ser ZERO!
É caso para afirmar: há INCOMPETENTES COM SORTE!

Anónimo Há 4 semanas

Nós, os cidadãos em geral? Baleados, carbonizados e roubados.

Hugo Há 4 semanas

As questões de fundo não mudam com PAF nem com Geringonça. Vêm de há séculos. Maus serviços (alguma vez foram bons?) Maus investimentos (alguma vez foram bons?) Baixos salários (alguma vez foram altos?) Se vivemos de migalhas, antes sejam de mais, do que de menos. As eleições ditarão a sentença.

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