André  Veríssimo
André Veríssimo 02 de novembro de 2017 às 09:56

Na era do pânico tecnológico

Ao papel cada vez mais hegemónico que a revolução digital tem nas nossas vidas, somam-se as novas possibilidades permitidas pela inteligência artificial ou a automação. E por muito que esse admirável mundo novo nos maravilhe, há uma apreensão crescente nas sociedades sobre as perversidades que ele pode trazer.

A revista Wired fez do "grande pânico tecnológico de 2017" o tema de capa da última edição: "É difícil não sentir alguma inquietação em relação às recentes transformações tecnológicas - a corrente constante de 'hacks', 'leaks' e ciberataques; os avanços na inteligência artificial e automação; o medo constante e ódio instigado nas redes sociais; e o espectáculo inspirado em Hieronymus Bosch em que se transformou a democracia na era dos 'macacos voadores' e das notícias falsas."

Houve um tempo em que eram os bancos grandes demais para falir que nos tiravam o sono. No Financial Times, pergunta-se agora se as grandes tecnológicas, como Apple, Google, Facebook e Amazon, são grandes demais para partir. A concorrência é um dos ângulos: "Se existir um esforço minimamente interessado e imparcial da parte da Administração Trump para combater práticas monopolistas, a Amazon vai estar em apuros", diz ao diário britânico Scott Cleland, presidente da Percursor.

Quer na Europa, quer nos EUA, cresce a vontade política para controlar e cercear o poder das grandes tecnológicas, nem que seja por verem nele uma ameaça. Farhad Manjoo defende no New York Times que a sensibilidade para os perigos é ainda reduzida: "A vontade política para regular é ilusória. As empresas de tecnologia continuam a ser extremamente populares e estão a usar a sua vasta fortuna para adquirir influência política e cultural."

Terá chegado o tempo de agir? "As escolhas que as pessoas fazem perante a inquietação determinam sempre se o mundo que deixam parece-se mais com uma utopia do que com uma distopia", alerta a Wired.



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Anónimo Há 3 semanas

Conforme as tecnológicas vão entrando na elite do Clube Bildberg (já lá está a Banca, a grande Indústria, os Media, entre outros), ganharão a garantia de que os seus negócios nunca serão relevantemente atacados.