Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 19 de abril de 2017 às 12:18

Nacionalidade e marcas

A imagem que cada um tem sobre um país afeta, positiva ou negativamente, o potencial das marcas das suas empresas.

É, pois, lógico que os Estados estabeleçam estratégias sensatas de divulgação das características profundas do sentir e ser nacional. Não se trata de campanhas de "Sol e Praia" para atrair turistas, mas antes um trabalho sistemático que leve outros povos a conhecer a nossa identidade coletiva.

 

Países tão diferentes como a Polónia, a Nova Zelândia, Taiwan ou o Botswana têm nos últimos anos levado a cabo ações importantes que os posicionaram de forma mais positiva aos olhos dos seus principais parceiros.

 

O que fazer? O ponto de partida passa pela definição do que queremos que saibam a nosso respeito. Que existimos? Que não somos parte da Espanha? Que somos trabalhadores? Que temos uma cultura e um domínio tecnológico avançado?

 

Naturalmente as características a promover devem ser consistentes com o que somos. Não podemos afirmar defender a diversidade e recusar a nacionalidade a quem nasce no país, não podemos querer parecer desenvolvidos e depois ter crianças e velhos a passar fome, não podemos querer ser avançados tecnologicamente e depois não ter uma boa cobertura de televisão em todo o país. As pessoas viajam, conhecem, divulgam o que veem. Não é possível vender gato por lebre.

 

A segunda etapa consiste em identificar quem queremos que nos conheça e pelo conhecimento do que sobre nós sabem e pensam. Queremos ser mais bem conhecidos na Papua-Nova Guiné ou na Alemanha? Na Síria ou em Marrocos? Na Tailândia ou na Guiné Equatorial? E, na Alemanha, entre os operários fabris ou entre os gestores privados? E qual o ponto de partida nos locais onde queremos ser conhecidos? Que imagem temos na Alemanha? E no Reino Unido ou em França? Sem este diagnóstico não podemos avançar. Ele exige estudos de mercado e análise histórica e sociológica de enquadramento.

 

Agora que tantos turistas afluem ao nosso país seria interessante desenhar um estudo de mercado para perceber o que pensam de Portugal e o que é que a estadia mudou dessa perceção (se é que mudou alguma coisa). E perceber como poderíamos aproveitar essa presença no país para melhorar a nossa imagem, em vez de desperdiçarmos essa grande oportunidade.

 

O terceiro passo consta da elaboração de uma estratégia de abordagem dos diversos segmentos de mercado. Só depois vem o planeamento e a ação.

 

Quando sabemos os negócios perdidos pelas nossas empresas quando se identificam como portuguesas, quando conhecemos casos de empresas tecnológicas que se instalam noutros países para beneficiar de outra visibilidade e imagem, quando ouvimos falar dos PIGS, quando lemos as afirmações de políticos socialistas europeus como Dijsselbloem, ou vemos as perseguições racistas a portugueses um pouco por toda a Europa, percebemos que há um trabalho importante a fazer. É urgente começar.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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