Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 06 de novembro de 2017 às 20:20

Não aprender nem esquecer

Há partidos que gostariam de mudar, mas não sabem como, porque as questões que terão para resolver quando voltarem ao poder serão as mesmas (ou mais graves) que enfrentaram quando estiveram no poder.

A FRASE...

 

"Um dos aspectos que mais aceleraram a devastação do interior foi o processo de privatizações conduzido pelo governo Passos-Portas."

 

José Pacheco Pereira, Público, 28 de Outubro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Cada partido ocupa e defende uma posição no campo político para se poder diferenciar e proteger dos outros partidos. Mas nenhum partido tem lugar cativo no campo político. Em cada conjuntura, terá de procurar, para as questões que se colocam nesse período, as políticas mais adequadas que mobilizem os eleitores, mas também que os membros do partido, se estiverem no poder, tenham capacidade para concretizar. 

 

Há partidos que não querem mudar. Podem mudar as conjunturas e fracassar as políticas que propuseram, a defesa da posição e a intransigente afirmação da ideologia são mais importantes do que a reflexão sobre o que a experiência obtida com a evolução das sucessivas conjunturas já mostrou. Há partidos que não podem mudar. Reconhecer a necessidade da mudança implica assumir a sua responsabilidade específica nos sucessivos fracassos que provocaram as sucessivas mudanças de conjuntura. Quando partidos que não querem mudar se prestam a ser apoios de partidos que não podem mudar, forma-se uma plataforma política incongruente: pode ocupar o poder, mas não pode governar, pode esconder o passado, mas não pode reformar o presente e clarificar o futuro. Há partidos que gostariam de mudar, mas não sabem como, porque as questões que terão para resolver quando voltarem ao poder serão as mesmas (ou mais graves) que enfrentaram quando estiveram no poder.

 

Se Pacheco Pereira considera que foi o processo de privatização conduzido pelo governo Passos-Portas que mais acelerou a devastação do interior (não terá sido a devastação do interior que implicou o encerramento de empresas e serviços públicos deficitários?), quando António Costa decide assegurar que a última preocupação que temos de ter é saber o peso para o défice (mas a primeira preocupação da política não terá de ser o que pesa na dívida?) e Jerónimo de Sousa descobre que o défice é um constrangimento que o Governo PS impõe a si próprio (não serão os credores, de que dependem os rendimentos e direitos dos portugueses, que colocam esse critério para continuarem a renovar a dívida?), tem de se reconhecer que não se aprendeu nada e não se esqueceu nada - estamos na eterna repetição do mesmo.  

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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ricardo Há 1 semana

Com todo o respeito. O senhor não sei porque nem para que quer por força que as coisas corram mal.

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