Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 29 de junho de 2017 às 20:00

Não é destino

Um dos riscos que se correm nestes dias que se têm seguido à tragédia dos incêndios é a identificação das entidades, dos sistemas e das práticas responsáveis pelo sucedido e tudo ficar concluído.

Atribuem-se responsabilidades, substituem-se as pessoas e acredita-se que o problema está resolvido. E quanto ao futuro, nada mais.

 

Outro risco, evidentemente, é nada se concluir. Ninguém é responsável porque tudo funcionou como era suposto. O que é pior ainda. Se tudo funcionou então trata-se de um problema para o qual não estamos preparados. O que dadas as alterações climáticas globais em curso pode bem ser o caso.

 

Em qualquer situação o que pode fazer diferença é a mudança.

 

O apuramento dos factos, o conhecimento do problema e responsabilização deve também servir para o futuro. Saber o que não foi feito e o que se pensou feito bem e que correu mal é vital. O que faz diferença é saber em profundidade o que se devia ter feito; com os meios existentes e com os meios necessários. O sistema de prevenção e combate aos fogos e de protecção civil é evidentemente complexo. E mais complexo ficará depois do que se passou e da esperada confirmação da maior probabilidade futura de fenómenos climatéricos anormais.

 

Conhecer a fundo e com competência o problema é condição "sine qua non" para as coisas mudarem. A estratégia de fundo para evitar a tragédia cíclica dos incêndios é a mesma que a necessária para melhorar tantas áreas da sociedade portuguesa: a competência, a liderança com base no mérito, a responsabilização. Não é destino as coisas serem como são. 

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