António Moita
António Moita 27 de agosto de 2017 às 19:15

Não se arranja uma grevezinha nos transportes?

Em todo o mundo, os partidos políticos habituados à conflitualidade têm normalmente grande dificuldade em viver no mundo de quem toma decisões que afetam a vida dos outros e assume as inerentes responsabilidades.

Bem sei que ainda estamos em Agosto. Mas não me lembro de um ano tão pouco ativo em matéria de contestação sindical ou partidária. Como não me parece que a situação dos trabalhadores tenha melhorado assim tanto, julgo que estamos perante um sinal de fraqueza dos partidos que mais capacidade têm para agitar as águas. Será a rendição de comunistas e bloquistas a um governo que já não precisa de fazer grandes concessões para garantir a sobrevivência?

 

Em todo o mundo, os partidos políticos habituados à conflitualidade têm normalmente grande dificuldade em viver no mundo de quem toma decisões que afetam a vida dos outros e assume as inerentes responsabilidades. Em Portugal também nisto somos originais. Figuras como a destemida Catarina e o guerreiro Jerónimo deram lugar a dois simpáticos "senadores da república" que vão, cada vez de forma menos audível, acompanhando com muito interesse e admiração a atividade governativa apenas deixando escapar um lamento de vez em quando.

 

Em vésperas de apresentação do orçamento de Estado para 2018 em Portugal, a Festa do Avante vai comemorar os 100 anos da revolução bolchevique de Lenine. O Bloco, pelo seu lado, irá esta semana discutir no Fórum Socialismo 2017 temas tão relevantes para a situação política nacional como, e cito o programa, "as tarefas da esquerda na era de Trump", "o papel das mulheres na revolução russa" ou ainda "os bastidores do futebol".

 

Relembro, para os mais distraídos, as áreas de intervenção das diferentes "posições conjuntas" que deram corpo à geringonça: salários e pensões; emprego e precariedade; fiscalidade direta e indireta; condições laborais na Administração Pública; melhoria dos serviços públicos de saúde, educação e ensino superior; sustentabilidade da segurança social; questões ambientais. Já poucos se lembram. Parece que o medo de uma penalização eleitoral no dia em que António Costa quiser ir a eleições é mais forte do que a afirmação de convicções e a defesa de princípios.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
É tramado 28.08.2017

É sinal que o modelo funciona Carrega PS

Mr.Tuga 28.08.2017

Geringonços xuxas HIPOCRITAS e DESPESISTAS RUINOSOS!

Não, colocaram o açaime... 27.08.2017

Os profissionais das greves agora recebem o subsídio anti-greve.
Este dinheiro extra é extorquido a todos os Tugas.
Foi o preço pago pelo derrotado Costa nas eleições, para poder usurpar o lugar de Pm.

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