Sandra Clemente
Sandra Clemente 09 de Novembro de 2016 às 20:35

Não vou dormir até que Trump não seja Presidente 

Lá, no Somerset, quando perguntava aos seus eleitores por Londres, eles respondiam: "Londres? Estive lá uma vez. Não gostei." Acho que isto é o melhor retrato da distância entre dois mundos.

Nem emigrar de planeta como a Mariana Mortágua diz que vai (embora gostasse que uma mulher tivesse sido eleita). Acho aliás que ela, bem como toda a esquerda populista, devia pensar se as políticas que estamos a seguir não protegem precisamente o sistema contra o qual os que se sentem excluídos votaram, ontem na América, mas já aconteceu no Reino Unido, em França, na Grécia e continua. Ouvi Jeremy Browne, o representante especial da City de Londres em Bruxelas, um liberal-democrata, antigo ministro de Cameron e ex-membro do Parlamento britânico, falar sobre a City e o Brexit num jantar da Embaixada Britânica em Lisboa. Conhecedor do terreno de Londres e do da sua antiga "constituency" conservadora, Taunton Deane no Somerset, Sul de Inglaterra, explicou a fenda que separa uma e outra e que se refletiu na votação do referendo. Lá, no Somerset, quando perguntava aos seus eleitores por Londres, eles respondiam: "Londres? Estive lá uma vez. Não gostei." Acho que isto é o melhor retrato da distância entre dois mundos.

 

Volto a Portugal. Quando se fala de orçamentos que só servem funcionários públicos e pensionistas com pensões altas, se deixam ministérios nas mãos de sindicatos que só protegem a sua manutenção, empresas de transportes capturadas que não prestam serviço público porque os meios que têm estão afetos a satisfazer corporações, hospitais que reduzem serviços para pagar votos, se excluem administradores do banco público do dever de transparência, se recusam reformas e se aumentam impostos generalizadamente para pagar isto tudo (e isto tudo não são excluídos do sistema, sofreram com a crise, mas todos sofreram) sem que quem paga se sinta compensado pelo retorno, talvez estejamos a fomentar aquilo com que dizem querer acabar. Basta ver com atenção uma fotografia recente de qualquer estação do metro de Lisboa.

 

Jurista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
xxx Há 3 semanas

O caso é que o casal Clinton é por demais sinistro. Hillary, que levou um par de cornos bastante público na Casa Branca, e fingiu que não era nada com ela para continuar agarrada ao poder, é por acaso um bom modelo para as mulheres? Michelle Obama talvez venha a ganhar, esta é melhor desaparecer.

helder Há 3 semanas

Ganhar dinheiro como colunista parece, de momento, ser a forma mais desonesta, intelectualmente, pelo menos, de ganhar algum. Acho que sobre Portugal, pelo menos, está OK. Mas que defende então a autora? Que se trabalhe por 500 euros? Ela trabalha? Que se espere num hospital 12 horas. Ela espera?

5640533 Há 3 semanas

A verdade nua e crua.

Anónimo Há 3 semanas

Os meninos mimados tiraram-lhe a chupeta e agora choram!