Fernando  Sobral
Fernando Sobral 15 de agosto de 2017 às 19:15

Não vou render-me!

As grandes decepções fazem, muitas vezes, com que os líderes políticos se refugiem em coisas pequenas. É esse o pequeno desafio que Pedro Passos Coelho faz a si próprio, como provou a sua soneca discursiva no Pontal.

Tudo espremido, o líder do PSD continua a choramingar, dois anos depois, por ter sido apeado do poder. Sem o seu alvo favorito (a crise económica) como argumento, torna-se difícil invocar que o diabo está a chegar num avião "low-cost" ao aeroporto da Portela. O crescimento económico e a quebra da taxa de desemprego derretem qualquer momento de exaltação cívica. Por isso as palmas foram de circunstância. Que resta então, neste vazio, a Passos Coelho? Os incêndios, uma declaração de amor à Altice e, com boa vontade, a crítica ao modelo económico de turismo, exportação e baixos salários, que está em vigor, e que, afinal, é semelhante ao que foi cozinhado nos anos em que foi primeiro-ministro. E que, no laboratório da troika, era a solução de futuro para Portugal. O que agora Passos critica é o que, com as suas "reformas", fez. Mas tudo isto é política à nossa maneira.

 

A parte mais robusta da "stand-up comedy" de Passos no Pontal foi assegurar que em 2018 ali estará novamente para contar umas histórias aos militantes. Isto quer dizer muito simplesmente que, independentemente dos resultados autárquicos, Passos não resignará. Se for desafiado em Congresso, irá à luta. Passos diz, do fundo do coração: nunca me renderei! Passos está convicto de que tem razão e é disso que se forjam os políticos. É certo que os homens de ferro são muitas vezes afectados pela ferrugem, de que normalmente não se dão conta, mas é bom que o líder do PSD seja claro. Os seus inimigos internos, quase todos eles escondidos atrás de cortinas, esperam. Mas o poder não lhes cairá, de mão beijada, nas mãos. A sua declaração é relevante pela carga emocional e política que contém. É uma advertência aos que o podem desafiar, de herdeiros a conspiradores. Pela sua firmeza, há que elogiar Passos Coelho. 

 

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mais votado Anónimo Há 5 dias

Por muito que os esquerdoidos/fascistas queiram, o homem não desiste de dizer umas verdades. A aspiração da esquerda sempre foi e é que se viva numa sociedade de pensamento unico, por isso a obsecção pelo controlo da imprensa e dos principais orgãos de estatistica e informação. Quem não se revê nestas filosofias totalitárias, socialismo, comunismo, nacional socialismo (nazismo), etc, deve lutar contra elas com todas as suas forças. O exemplo da Venezuela é o ultimo de inumeros até hoje.

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Anónimo Há 1 dia

bom bom era um maduro venezuelano a mandar em Portugal. Era o sonho perfeito para estes pseudo-cronistas.

Anónimo Há 5 dias

Por muito que os esquerdoidos/fascistas queiram, o homem não desiste de dizer umas verdades. A aspiração da esquerda sempre foi e é que se viva numa sociedade de pensamento unico, por isso a obsecção pelo controlo da imprensa e dos principais orgãos de estatistica e informação. Quem não se revê nestas filosofias totalitárias, socialismo, comunismo, nacional socialismo (nazismo), etc, deve lutar contra elas com todas as suas forças. O exemplo da Venezuela é o ultimo de inumeros até hoje.

Anónimo Há 5 dias

O discurso valeu pela verdade que transmitiu. Está para ficar e irá bater-se pelos seus ideais. Isso é de valor e é de lutadores que o país precisa. Ficará a faltar uma agenda modernista que aposte de verdade na classe média. Sem isso preferimos a "engrenagem" que está visto funciona e bem.

TinyTino Há 5 dias

Quando Hitler se recusou a assinar a rendição levando com ele milhares de alemães e destruição total até Berlim também foi firme. Quando Tarik Haziz, MNE do Iraque proclamava do púlpito que os EUA estavam a perder em toda a linha, com as tropas às portas de Bagdad também foi firme.
Ambos firmes. Ambos estúpidos e teimosos.

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