Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 15 de março de 2017 às 13:04

"Native advertising"

Os anúncios tradicionais sobressaem pelas suas características alienígenas em relação ao restante conteúdo do meio em que são apresentados. Um anúncio de jornal distingue-se claramente do restante material publicado.

Esta característica permite ao leitor ignorá-lo com facilidade, virando a página ou, mais comummente, não lhe prestando atenção. O investimento publicitário perde-se e um impacto efetivo só pode ser alcançado à custa de uma custosa e sistemática repetição da mesma mensagem durante um longo período de tempo.

 

Em contraponto, o moderno marketing de conteúdos procura produzir materiais que sejam naturais ("native") ao meio em que são inseridos. Que na televisão revistam a forma de uma peça televisiva, nos jornais, de editorial ou de artigo, nas redes sociais, de um post, no telemóvel, de uma mensagem, na rádio, de uma canção ou uma comunicação verbal.

 

Não se trata de camuflagem desonesta, que os anúncios devem ser sempre claramente identificados como comunicação paga e, por isso, enviesada, mas sim de adaptação funcional ao meio em que se inserem. "Em Roma, sê romano" diz o ditado com a razão do bom senso popular.

 

Quando navegamos na internet não desejamos ler um jornal, e quando lemos um jornal não queremos ver televisão, e quando seguimos um programa televisivo não pretendemos ser confrontados com o formato de uma rede social.

 

Cada meio de comunicação tem a sua linguagem própria, tem o seu ritmo e personalidade que exigem o foco do utente. A dissonância da linguagem leva à dificuldade de compreensão e a que a mensagem seja ignorada. Esta intrusão dos anúncios tradicionais desagrada cada vez mais aos consumidores.

 

Mais êxito tem a mensagem que não obrigue o utente a mudar a sua agulha mental, a mensagem que se adapte ao meio que está a ser usado. Esta é a grande vantagem dos anúncios nativos, realidade também designada por publicidade nativa.

 

Este novo método pode ser usado em qualquer meio de comunicação, mas a sua expansão mais rápida está a acontecer nas plataformas online, redes sociais, sites, blogues e outras.

 

Em Portugal, a maioria das empresas desconhece ainda as vantagens dos anúncios nativos e de como podem usá-los para incrementar o seu negócio. Mesmo anunciantes de primeira linha não recorrem a este potente instrumento.

 

Esta é uma área em que os anunciantes nacionais devem fazer um esforço de modernização no sentido de aumentar a rentabilidade do investimento que efetuam em marketing e publicidade. Um domínio em que claramente é possível fazer mais com menos meios e com menor despesa.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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