Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 15 de Dezembro de 2016 às 19:55

Negócios de vampiros 

Os negócios dos vampiros da "máfia do sangue" e dos contratos do INEM sob investigação das autoridades judiciais, que já levaram à detenção de Cunha Ribeiro e Lalanda de Castro, revelam um submundo de negócios indecentes com o dinheiro público.

Sem qualquer pinga de vergonha, nem de valores éticos, há gente que enriquece sem justa causa. Verdadeiros cartéis, com a conivência de jurados incompetentes ou corruptos. Mas provavelmente o que já se sabe destes esquemas é apenas a ponta de um icebergue do universo de contratos  públicos. Mesmo sob a capa de boa despesa pública há comissões e enriquecimento ilícito à custa dos contribuintes e dos cidadãos utentes dos serviços.

 

"No céu cinzento sob o astro mudo, batendo as asas pela noite calada , vêm em bandos com pés veludo chupar o sangue fresco da manada", cantou Zeca Afonso a propósito de outros vampiros. Mas estes  nem precisam de actuar pela calada da noite. Facturam com contratos legais, escudados pelos melhores escritórios de advogados. Negócios raramente escrutinados.

 

Aliás, este processo só está sob investigação judicial porque Lalanda de Castro contratou José Sócrates e a ligação da Octapharma ao antigo primeiro-ministro foi alvo de um intenso escrutínio mediático, que destapou os buracos, agora sob a mira da justiça.

 

Lalanda de Castro ao contratar o antigo primeiro-ministro pensava reforçar o prestígio da empresa que liderava, mas esta escolha acabou por se tornar no verdadeiro "azar dos Távoras" do gestor.

 

Porventura, quantos esquemas mafiosos semelhantes haverá nos contratos de despesa pública?

 

Teoricamente há mecanismos de controlo, desde auditorias,  inspecções nos ministérios e até o tribunal de contas. Mas basta haver uma verdade formal, como sucede nos negócios sob investigação no INEM ou nos contratos de sangue, para tudo passar,  sem aparente sombra de pecado.  

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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