Ulisses Pereira
Nem as OPA animam a Bolsa portuguesa
16 Abril 2012, 10:13 por Ulisses Pereira | ulisses.pereira@difbroker.com
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Quem esperava que as OPA que surgiram na Bolsa portuguesa nas últimas semanas animassem o nosso mercado accionista, enganou-se.
Quem esperava que as OPA que surgiram na Bolsa portuguesa nas últimas semanas animassem o nosso mercado accionista, enganou-se. Pelo contrário, não obstante as naturais valorizações da Brisa e da Cimpor, o PSI-20 tem acelerado as quedas e está já muito perto do mínimo dos últimos 9 anos.

Alguns leitores têm feito chegar até mim a sua indignação porque, quando as Bolsas europeias sobem, a portuguesa mantém-se estável e quando as suas congéneres descem, a praça nacional também cai. Mais do que indignação, esta constatação deve merecer conclusões óbvias. Há alguns anos que este tem sido o cenário e mostra a fraqueza relativa da nossa Bolsa nos últimos anos.

Não vale a pena dizermos mal da nossa Bolsa. Ela é o espelho do país. O que será importante é, no futuro, identificar sinais de força que possam mostrar uma inversão da tendência e que, certamente, irão ocorrer antes mesmo dos números macroeconómicos o revelarem.

Os últimos meses reforçaram também a importância da resistência horizontal na zona dos 5700 pontos. Não é apenas uma resistência de curto prazo mas tornou-se também numa importante referência no médio prazo. E, se a situação se continuar a deteriorar na praça portuguesa, é possível que, daqui a uns tempos, baixe para esse valor a minha fronteira entre o "Bear" e o "Bull Market". Para já, mantém-se apenas como a grande resistência de curto e médio prazo.

Agora é fácil dizer para nos mantermos cautelosos quanto à Bolsa portuguesa. Há 5 anos atrás, quando esta crise estava longe de parecer vir a ter a gravidade que se verificou, era bem mais incómodo dizer tal coisa. E, quando daqui a uns tempos, começarem a aparecer sinais de força na Bolsa portuguesa e referir isso mesmo vai ser bem mais difícil aceitarem esta opinião, já que isso acontecerá antes da recuperação económica se fizer sentir. É nesses momentos que a frieza dos gráficos mais nos ajuda a perceber coisas que os nossos olhos não vêem.

Tenho saudades dos tempos em que era rara a análise pessimista que fazia. Tenho saudades de quando que falava da quebra desta ou daquela resistência. Tenho saudades dos investidores portugueses entusiasmados com a valorização das suas carteiras. Felizmente, hoje em dia, os investidores nacionais podem também vibrar com o "Bull Market" de mais de 3 anos que se vive nos Estados Unidos. Mas tenho saudades de escrever e entusiasmar os leitores quanto ao mercado português. Lá chegará o dia. Não quando eu ou outro analista qualquer quiser, mas sim quando o mercado mostrar força suficiente para percebermos que o pior já passou.

Se queria ler quando será o fundo da Bolsa portuguesa, peço desculpa pela desilusão. A bruxaria não é a minha especialidade. E jamais ficarei na História como o analista que adivinhou o fundo do PSI pois, quando eu falar em "Bull Market" já ele se iniciou há algum tempo. Deixo a tentativa de encontrar fundos para aqueles que querem ficar famosos. Um dia irão acertar.






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