Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de julho de 2017 às 10:05

Neymar, Maradona e a loucura das transferências

Quando Pogba se transferiu para o Manchester United por valores astronómicos, julgava-se que se tinha atingido o limite da loucura. Agora percebe-se que não.

Desconhece-se se o Real Madrid vai despender 180 milhões de euros para contratar o avançado Kylian Mbappé ou se o PSG avançará para Neymar, pelo qual terá de pagar 222 milhões de euros. Pelo caminho ficam outras contratações a rondar os 100 milhões de euros. E diz-se que o "melhor" ainda está para vir. O "fair-play" financeiro começa a ser uma batata. E a pergunta é: Neymar sai ou não sai. Gerard Piqué, que não esconde o sonho de ser presidente do Barcelona num futuro próximo, já disse que "Neymar não sai". Agora recuou um pouco: "O 'não sai' foi uma opinião pessoal, mas isso é ele que tem de comunicar. Ainda que, pelas conversas que tenho tido, pelo que pude ouvir e intuir, é o que penso." Será? Não parece haver limites para os gastos. No Guardian, Paul Wilson escreve: "Ver quem é o jogador mais caro é como os 'tops' de vendas de discos. (…) Os clubes de futebol normalmente não pagam o que não podem. É o que poderá gastar a moderna Premier League, propriedade de estrangeiros, que nos faz pensar onde acabará o jogo."

Longe disso, Diego Maradona falou para apoiar a existência do vídeo-árbitro. Embora saiba que, se existisse na época, o seu famoso golo com "a mão de Deus" no Mundial de 1986, não contaria. "Comecei a pensar e claro que, com tecnologia, esse golo não seria validado." Lembrou outros golos históricos que também foram validados erradamente e fez uma confidência: "Digo mais: no Mundial de 1990 também usei a mão contra a União Soviética para tirar uma bola na linha de golo. Mas naquela época não havia a possibilidade de usar a tecnologia e hoje é outra coisa." É verdade: o dinheiro e a tecnologia aliaram-se no futebol. Resta saber o que acontecerá a quem não dispõe de milhões sem fim.


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