Fernando  Sobral
Fernando Sobral 15 de Novembro de 2016 às 10:11

Nigel Farage, o ogre e o pânico europeu com Trump

A Europa entrou em pânico. O jantar de ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da UE acabou em nada. Alguns faltaram. O resto não chegou a acordo. E o primeiro político europeu a ser recebido por Donald Trump foi Nigel Farage, um dos cérebros do Brexit.

Theresa May ficou furiosa e os seus aliados acham que Farage é "irrelevante" e não uma ponte para chegar a Trump. Há quem a critique internamente por isso. O certo é que Farage está eufórico. No Daily Telegrah conta o seu encontro com Donald Trump: "O Presidente Trump não vai ser o ogre que alguns receiam, mas precisamos de ultrapassar as barreiras e eu posso ajudar nisso. (…) Conheço muitos dos seus colaboradores há vários anos e sempre me apoiaram. Em troca estou feliz por ter feito a minha parte explicando-lhes a história inspiradora do Brexit e espero ter contribuído para a extraordinária vitória de Trump." Uma nova aliança forja-se. E a Europa? No Guardian, Matthew d'Ancona reflecte: "A nova relação especial não será entre líderes ou governos. É uma linha culturalmente maligna que se estica ao longo do Atlântico ligando o Brexit à eleição de Trump que se pressagia. (…) A vigorosa troca de produtos e de trabalho foi a maior máquina de prosperidade que o mundo conheceu. Agora veremos como os zangados votantes de Trump reagirão quando os seus smartphones custarem 1.000 dólares."

No Washington Post, Jackson Diehl escreve, por seu lado: "Trump cumprirá? Se o fizer, saberemos que a ordem global está a mudar. Isto porque a atitude de Trump face à Rússia definirá as suas relações com aliados-chave na Europa e no Médio Oriente. Se ele trair o que tem sido o sólido apoio à Ucrânia, os líderes da NATO, a começar por Angela Merkel, serão minados e ofendidos. Nações mais pequenas na Europa Central correrão para fazer os seus próprios acordos com Putin." As dúvidas são totais.
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