António Moita
António Moita 31 de julho de 2017 às 21:50

No que se transformou o PSD

Hoje é fácil bater em Pedro Passos Coelho. Não há quase ninguém que não o tenha feito. Seja pelo que fez ou faz, seja pelo que disse ou diz. Louve-se, no entanto, a coragem de um homem que não sai de cena mesmo quando a peça já não precisa dele.

Confesso ter estima pessoal por Passos Coelho. Porque enfrentou a tormenta com tenacidade, salvou o país de males ainda maiores, defendeu obstinadamente o caminho em que acreditava, não confundiu as prioridades nacionais com a agenda dos ciclos políticos. Se é verdade que não existem na política portuguesa muitos líderes com este perfil, também é facto que aos que o têm não se vislumbra grande longevidade. E num partido grande isso pode ser fatal. E está a ser.

 

Ninguém hoje acredita que esta liderança dure muito mais tempo. Nas eleições internas regionais e locais, os seus detratores começaram já a tomar posições arregimentando os caciques habituais e negociando cada voto. Provavelmente os mesmos que o elegeram a ele.

 

Esta interiorização da ideia da morte anunciada do líder tem por consequência o afastamento progressivo de quem alimenta a máquina. Ficam apenas os que estão sempre disponíveis para "ajudar" o novo líder, os que querem agarrar uma oportunidade para breves momentos de fama e aqueles que, mesmo sem grande vontade, cumprirão esta missão patriótica até ao fim, até porque têm vida profissional independente da política.

 

A orquestra social-democrata é hoje composta, na sua grande maioria, por figuras de segundo plano a quem foi colocado nas mãos um instrumento que nunca saberão tocar. A cacofonia aí está e não colhe a simpatia do público.

 

Não sei se, num futuro próximo, alguém no PSD conseguirá inverter este caminho de afastamento natural da atividade partidária dos melhores de cada geração. Mas sei que a criação de uma alternativa moderna e credível no espaço do centro e da direita passa por novas abordagens dos problemas estruturais, uma linguagem diferente e protagonistas confiáveis. Se os caciques o permitirem!

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Anónimo 01.08.2017

Mas quem é que disse que a peça já não precisa dele? É que de Estadistas sérios, já pouco resta cá no "sítio". Tem coragem Passos Coelho . Os verdadeiros portugueses necessitam que não arredes pé, não só por eles, mas pela Nação.

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Anónimo 06.08.2017

O País estava nas "lonas" e todos pagámos para o tentar recuperar. Hoje ainda não estamos safos, mas fazem-nos acreditar que está tudo bem. Mas estamos nas "lonas" porque "quem o alheio veste, na praça o despe"! (mais tarde ou mais cedo)

pertinaz 02.08.2017

CARREGA PASSOS...!!!

JR 01.08.2017

- o que é que a direita sabe e quer fazer para além de destruir, vender e roubar o que é de todos e deixar a maioria do povo na dependência e na miséria?

Anónimo 01.08.2017

Em organizações públicas e privadas do mundo mais desenvolvido, no âmbito da gestão das organizações faz-se gestão de recursos humanos (GRH). Sem GRH, nem criação de valor ocorre nem elevação dos rendimentos de colaboradores não excedentários se dá, uma vez que os excedentários, por definição, limitam-se a extrair valor. Economias com GRH enriquecem e desenvolvem-se de forma sustentável. Ser excedentário não significa por si só que se seja criminoso ou mesmo incompetente. Ser excedentário é como estar na condição de desempregado mas a ser suportado por uma organização que emprega o desempregado. O desempregado e o excedentário são apenas uma oferta sem procura, e isso não é crime, crime é não fazer GRH. O desempregado, sem procura no mercado laboral onde oferece trabalho. O excedentário, sem procura numa dada organização empregadora que tem que o suportar prejudicando a persecução da sua missão, visão e propósito. Ambos são um problema do Estado de Bem-Estar Social e não do empregador.

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