Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 05 de janeiro de 2017 às 00:01

Novo Banco

Como tem sido noticiado, mais uma vez o vencedor do processo de venda do Novo Banco não será quem se esperava. Quando escrevo estas linhas ainda não há a certeza se será alguém, mas certo, certo é que será uma escolha diferente da que se pensava aqui há umas semanas.

Há quem diga que será uma escolha de segunda linha ou uma solução de recurso para evitar que, mais uma vez, o processo fique "deserto". E a questão com as escolhas de segunda linha ou soluções de recurso neste tipo de processos é que muitas vezes têm de ser encontradas concessões ou acordos que, na prática, se traduzem em maus acordos para quem vende e em muito pequeno esforço financeiro e muito pouco risco para quem compra. Mas, independentemente do esforço financeiro ou do risco a assumir pelo eventual comprador, há um ponto muito mais importante: é que não se pode admitir, de todo em todo, que o Novo Banco seja esquartejado, seja separado em postas para depois serem alienadas.

 

O Novo Banco, apesar de tudo o que aconteceu, tem uma posição importante no sistema financeiro português. Tem uma quota de mercado considerável, perto de 20 por cento, e a grande maioria do seu crédito é a empresas, principalmente a pequenas e médias empresas. Enquanto nos outros, no geral, a maioria das suas carteiras creditícias são constituídas por financiamentos a particulares e, em boa medida, para compra de habitação, o Novo Banco tem essa ligação muito vincada ao tecido económico português. Comprar o Novo Banco não pagando ao Fundo de Resolução, tendo garantias do Estado para as contingências que são neste momento impossíveis de estimar com precisão e ter a possibilidade de fazer o negócio de dividir o banco em pedaços e vender essas parcelas, é um cenário assustador e absolutamente inaceitável. Basta fazer as contas e somar as parcelas para perceber quanto é que o Estado perde, quanto deixa de ganhar e quanto podem lucrar os particulares. Nesse quadro é melhor não haver venda do que haver uma venda qualquer. É que, diga-se em abono da verdade, há vendas que não o são, configuram mais verdadeiras doações. Portugal já perdeu valor que chegue para ainda se poder dar ao luxo de alienar, em más condições, uma componente tão relevante do sistema financeiro nacional.

 

Ninguém nega que as autoridades se têm esforçado ao máximo, nos diferentes ciclos políticos, para concluir bem este processo tão difícil. Mas a realidade é o que é e se não surgir no final uma proposta merecedora de ficar com o Novo Banco, não se deve forçar nada. Portugal será certamente capaz de encontrar outras soluções sem que uns enriqueçam sem causa legítima e à custa do empobrecimento coletivo.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 2 semanas


PS - e seus votantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES


OS FP DEVEM ESTAR MOTIVADOS APENAS POR TER EMPREGO!

Pois estão bem melhor do que as vítimas do SOCRATES GATUNO que endividou o país até à bancarrota, para pagar salários e pensões dos FP…

Lançando 500.000 trabalhadores no desemprego!


comentários mais recentes
pertinaz Há 2 semanas

VENHAM CHINESES OU ANGOLANOS

TUDO O RESTO É AINDA PIOR

Anónimo Há 2 semanas


O verdadeiro crime organizado

Ladrões FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

ARMÉNIO CARLOS ROUBA OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

Vitória para uns, significa derrota para os outros.

As vitórias de Arménio Carlos traduzem-se sempre em mais privilégios para a FP e ...

mais impostos sobre os restantes trabalhadores, para sustentar esses privilégios.


Anónimo Há 2 semanas


PS - e seus votantes - ROUBAM A VIDA A 500.000 TRABALHADORES


OS FP DEVEM ESTAR MOTIVADOS APENAS POR TER EMPREGO!

Pois estão bem melhor do que as vítimas do SOCRATES GATUNO que endividou o país até à bancarrota, para pagar salários e pensões dos FP…

Lançando 500.000 trabalhadores no desemprego!


Porquê só Lisboa Há 2 semanas

Porque razão só a santa casa de mesiricordia DE LISBOA tem o exclusivo do jogo para se financiar ? e as outras Misericórdias ? Porquê só LISBOA ? até quando ?

ver mais comentários