Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de agosto de 2017 às 09:50

O Afeganistão e o poder dos generais na Casa Branca

Donald Trump, inexperiente em assuntos de segurança ou de política externa, está hoje rodeado de generais.

No plano político interno e no externo, a sobrevivência de Trump recai cada vez mais neles. Talvez por isso Trump tenha mudado as suas opiniões sobre o Afeganistão: em vez de retirar, vai mandar mais tropas para lá. No "New York Times", Bret Stephens escreve: "No que se refere ao Afeganistão, experimentámos tudo. A lição é: nada funciona". E dá uma ideia das diferentes tácticas utilizadas. Por exemplo: "Tentámos matar terroristas. Muitos. Cerca de 42 mil talibãs e outros insurgentes foram mortos e outros 19 mil feridos desde 2001. Os EUA fizeram mais de 400 ataques com drones, dizimando a liderança da Al-Qaeda. Resultado: os talibãs tinham em 2005 entre 2000 e 10 mil combatentes. Numa década esse número subiu para 60 mil. (…) O presidente Trump pensa que está a fazer algo de novo com o Afeganistão. Não está. (…) Trump também pensa que vai 'vencer' no Afeganistão. Isso não vai acontecer na nossa vida".

Matthew Norman, no "Independent", perspectiva a questão de outra forma: "Trump não deu detalhes, embora se acredite que o número de tropas suba de 8000 para 12 mil. O Afeganistão era um inferno anárquico com 100 mil soldados americanos no seu solo. Mais 4000 num país tão grande e caótico é puramente simbólico. Trump rendeu-se aos militares. Os seus generais - o chefe de gabinete John Kelly; James 'Mad Dog' Mattis, o secretário da Defesa; e HR McMaster, o conselheiro de segurança Nacional - têm-no refém. (…) O discurso de Trump confirmou que a sua fraqueza ultrapassa a dificuldade familiar da presidência para conseguir legislar através do Congresso. (…) Os seus generais estão a ditar a política externa mesmo quando ela mina a base eleitoral de Trump." Já Bill Powell, na "Newsweek" é mais calmo: "Os generais de Trump podem salvar o mundo da guerra - e da sua loucura". É o que se espera. 
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