António Moita
António Moita 07 de janeiro de 2018 às 17:30

O ano da reinvenção

Marcelo confundiu a mensagem de Ano Novo com a carta ao Pai Natal. Ao contrário do que tem feito, em vez de definir metas formulou desejos.

Pediu coisas tão prosaicas e fáceis de alcançar como a reinvenção do futuro, a redescoberta dos vários Portugais, a garantia de que o Estado não falha nem foge nas suas missões essenciais. Tudo com "verdade, humildade, imaginação e consistência".

 

Talvez por se encontrar convalescente, Marcelo fez um discurso redondo, bonito, dirigido ao coração dos portugueses e em que fez eco do sentimento que invade o cidadão comum. Não é habitual nele preparar uma intervenção política que depressa será esquecida e se tornará irrelevante. O destinatário que visava atingir, o Governo, a maioria que o suporta e a oposição, não pode nem quer saber destes desejos do Presidente.

 

2018 não será o momento de reformar o Estado, nem de encontrar o país esquecido e distante e muito menos de reinventar o futuro. Bem pelo contrário. Será o ano para satisfazer clientelas avulsas, para fazer esquecer dramas vividos, para criar a ilusão de que muita coisa vai mudar garantindo que tudo fica mais ou menos na mesma.

 

Preparar o futuro e introduzir verdadeiras reformas - no sentido que o país precisa, claro está - exige a garantia de uma enorme pacificação social, a assunção de um desígnio nacional mobilizador e a convergência das forças políticas em torno de um denominador comum construído ao centro. Tudo aquilo que o novo ano não irá trazer.

 

À esquerda, a batalha é para saber quem fala mais alto, quem melhor defende os trabalhadores e quem vai mais longe na defesa de um Estado omnipresente, gordo e despesista. À direita, o problema será de conquista de um espaço que já só vale pouco mais de um terço do eleitorado ativo. No centro, tranquilamente, estará o Governo a seguir um caminho de progressivo e desejado isolamento quer das esquerdas radicais quer das direitas que ainda não encontraram um caminho alternativo. A caminho da vitória eleitoral em 2019 quem sabe se com maioria absoluta.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Se o PSD elegesse Rui Rio talvez pudessemos ter confiança no futuro.
Se eleger o outro pantomineiro. o país ficará adiado por uns bons anos. e os contribuintes nao deixarao de ser sobrecarregados todos os anos até à exaustao.

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