Luís Amado
Luís Amado 02 de janeiro de 2017 às 15:00

O ano do Galo

Uma década depois do início da crise financeira começa a perceber-se, finalmente, a gravidade da situação internacional. 
O mundo continua atolado numa crise que invoca, aqui e ali, a memória dos anos que antecederam as guerras mundiais do século vinte. Mas a situação actual não é comparável, se tivermos em conta a rede de interdependências e os arsenais nucleares. A complexidade da situação decorre tanto da evidente improbabilidade da paz quanto da aparente impossibilidade da guerra.

Um confronto militar envolvendo os grandes exércitos não parece, racionalmente, possível. Mas depois da eleição americana e tendo em consideração o seu impacto político, será importante observar o movimento das potências com poder estratégico global - Estados Unidos da América, China e Rússia.

A "ordem" e a estabilidade do sistema internacional vão depender cada vez mais, das relações entre estas três grandes potências e da sua efectiva capacidade de cooperação, sendo sempre difícil garantir o equilíbrio entre interesses estratégicos evidentemente divergentes. Se isso for conseguido teremos, no melhor dos cenários, um novo directório mundial, o G3 e as respectivas "zonas de influência" mais ou menos instáveis ou em guerra.

A questão em aberto é saber como reagirão Moscovo e Pequim, à surpreendente "mudança de regime" em Washington.

A nova política americana constitui a principal variável de incerteza para os próximos anos. A inesperada eleição de Trump em nome de um programa de ruptura política interna e com o "status quo" mundial, introduziu uma nova dinâmica no sistema internacional.
Em 2017, as forças de desintegração e de resistência à globalização, estimuladas pela saída do Reino Unido, pela eleição de Trump e pela contínua pressão migratória, vão continuar a reforçar as suas posições políticas. Luís Amado

A promessa de uma nova política económica, assente num conjunto de estímulos - choque fiscal, desregulação e um colossal pacote de investimento em infraestruturas, provocou uma brusca mudança nas expectativas económicas a nível mundial.

Mas atenção, a extraordinária valorização dos activos da economia americana, o enorme afluxo de capitais e a consequente valorização do dólar, não incorporam os riscos políticos evidentes daquele programa. O agravamento das tensões, designadamente com a China, a anunciada renegociação de alguns acordos comerciais, o inevitável aumento do défice e da dívida e as batalhas no Congresso, acabarão inevitavelmente, por moderar o ímpeto dos investidores.

É por isso pouco provável que a moeda americana possa continuar a valorizar-se por muito mais tempo. Sendo seguro que a aceleração do crescimento e o aumento da inflação, provocarão uma mais rápida normalização da política monetária. A previsível subida das taxas de juro americanas em 50 ou 75 pontos base no próximo ano colocará mais pressão sobre o BCE.

A evolução da situação na Europa será a outra grande variável de incerteza. A irrelevância estratégica evidenciada pela UE reflecte a profunda crise do projecto europeu.    

Em 2017, as forças de desintegração e de resistência à globalização, estimuladas pela saída do Reino Unido, pela eleição de Trump e pela contínua pressão migratória, vão continuar a reforçar as suas posições políticas na generalidade dos países europeus, nas múltiplas eleições que ocorrerão. Em todas elas assistiremos a ganhos dos partidos populistas e anti-europeus.
  
À medida que o ano for correndo, será mais perceptível que a estabilização da zona euro necessitará de um novo impulso "federador" que, contudo, só poderá ocorrer a partir de 2018.
  
Mas as negociações com o Reino Unido evidenciarão a dificuldade da situação europeia exigindo, paradoxalmente, mais integração e mais diferenciação. Não vai ser fácil.

O ano do Galo

* "Este ano pode requerer muito esforço. Os riscos especulativos deverão ser evitados. Os desapontamentos e os conflitos estarão na ordem do dia. O galo gosta de impor a sua autoridade e muitos dos problemas podem vir da sua atitude dominadora. Mas desde que simbolize também o bom administrador e o consciencioso justiceiro, a paz será mantida. Tudo será balançado precariamente no ano do galo".

Horóscopo Chinês

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mais votado Anónimo Há 3 semanas


Comemorações Oficiais

Ladrões PS- PCP- BE - 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


MAIS UM ORÇAMENTO CRIMINOSO DA GERINGONÇA E DOS SEUS APOIANTES.

Mais despesa

Mais dívida

Mais juros

Mais impostos

MAIS DESIGUALDADE SOCIAL

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

A maior parte das decisões são tomadas, mesmo quando se apregoa a racionalidade, com o eixo emocional.
A maior parte dos grandes decisores, Presidentes de Países, antes de tomar qualquer decisão, aconselham-se com a sua entourage. Será assim com o Trumpismo, com o Putinismo e com o Xi-Jinpingismo.

Uma década depois Há 3 semanas

Uma década depois ( OS ATRASADOS MENTAIS, VERBOS DE ENCHER) parecem começar a entender a crise . . . e é porque passaram 5 anos como presidentes de bancos que levaram á falencia ( e como tal falavam com alguns entendidos). . . caso contrário nunca fariam a menor ideia do que se passou !

Mas que pouca vergonha é esta ? Há 3 semanas

Este VERBO DE ENCHER que foi para o parlamento dizer que não sabia de nada nem fazia nada no BANIF ainda tem o topete de vir aqui tecer opiniões ? alguem as pediu ? NÃO ME DIGAM QUE AINDA POR CIMA PAGAM A ESTE ANORMAL SOCRETINO PARA DEBITAR ESTERCO ! Condecorem-no depressa !

J. SILVA Há 3 semanas

À impunidade a que isto chegou, para estes lacraus só a justiça primária leva isto ao sítio. Este pulha foi presidente do BANIF, os acionistas ficaram sem nada, nunca os esclareceu, nem sequer qualquer atitude de conforto. Sacou o dele e agora está outra vez na maior, para esta BESTA nada aconteceu.

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