Fernando  Sobral
Fernando Sobral 29 de maio de 2017 às 09:28

O aperto de mão, o empurrão de Trump e os carros alemães

No meio das sequelas do atentado terrorista de Manchester, a visita de Donald Trump à Europa (sobretudo à reunião da NATO e à do G7) fica com muitas histórias para contar.

Trump lembrou que os países europeus têm de pagar mais para a defesa comum e esqueceu-se de falar dos princípios da solidariedade da NATO (quem atacar um ataca todos). Depois foram os detalhes: o aperto de mão com Emmanuel Macron já fez História. Trump apertou a mão ao Presidente de forma firme, para mostrar quem é mais forte. Mas Macron respondeu na mesma moeda e ali ficaram, mais tempo do que é habitual, para ver quem desistia. Trump desistiu primeiro. Depois Trump empurrou o primeiro-ministro de Montenegro para ficar na primeira fila das fotografias. Falando de terrorismo, Patrick Cockburn, no Independent, é arrasador: "A principal inspiração para estes terroristas é o wahhabismo, o puritano, fanático e regressivo tipo de Islão que é dominante na Arábia Saudita, cuja ideologia é próxima da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. Esta é uma crença exclusiva, intolerante para quem discorda dela. (…) Depois do 11 de Setembro o Presidente Bush descreveu o Iraque e não a Arábia Saudita como o inimigo; numa revisão da História, o Presidente Trump está a grotescamente a acusar o Irão de ser a fonte da maior parte do terrorismo no Médio Oriente. Esta é a verdadeira conspiração do 11 de Setembro."

Na Grã-Bretanha, Jeremy Corbyn dá tiros nos pés. Para ele, numa conferência que ia dar, e cujo discurso foi conhecido antes, preparava-se para declarar: "Muitos especialistas, incluindo profissionais da nossa inteligência e serviços de segurança, apontaram para as conexões entre as guerras que o nosso governo apoiou ou lutou noutros países e o terrorismo na nossa casa." Para mostrar que está tudo nervoso, a Der Spiegel revela uma conversa de Trump com líderes da UE: "Os alemães são maus, muito maus. Vejam os milhões de carros que eles estão a vender nos EUA. Terrível. Vamos parar isso."



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