José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 21 de dezembro de 2016 às 20:40

O ataque a Berlim, Bruxelas e Frankfurt

O ataque de Berlim é deplorável. Pelas vítimas que causou. Pelo atroz simbolismo que deixou naquele mercado de Natal.

"Things fall apart; the center cannot hold/(…)/The best lack all conviction, while the worst/Are full of passionate intensity"

 

The Second Coming, W. B. Yeats

 

A sua ocorrência deveria ser o pretexto perfeito para unir a Europa em torno da cada vez mais premente questão securitária: por uma questão de princípio e também porque, se nada se fizer, mais tarde ou mais cedo, os países até agora poupados serão um dia contemplados pela taluda do ódio.

 

Infelizmente é mais provável o afastamento do que a coesão das nações europeias, porque cada ataque convoca instintos nacionalistas que são capturados por partidos antieuropeístas. Por outro lado, a política de refugiados da chanceler Merkel criou uma relação direta de razão inversa entre o terrorismo e o potencial eleitoral da mais estoica defensora do projeto europeu e do seu filho pródigo: o euro. Tal situação está a revelar-se uma oportunidade ímpar para os radicais islâmicos, cujo desiderato é a destruição da civilização ocidental. Ora, eles sabem que atacando a Alemanha debilitam Merkel, que para além de ser a única líder que resta à Europa, é também a guardiã maior da moeda única. Tristemente, esta circunstância torna a Alemanha extremamente vulnerável a novos ataques, num ciclo macabro difícil de romper. A consumar-se, a dissolução política da chanceler alemã, a par do impacto que mais um ataque no centro da Europa terá no desfecho das eleições francesas, implica uma fragilização inexorável da UE e do euro. O ataque foi em Berlim, mas o estrondo ouviu-se também em Bruxelas e Frankfurt, onde mora o euro.

 

Como escreveu o poeta irlandês W. B. Yeats quando o centro não se aguenta, os melhores perdem convicção e os piores adquirem apaixonado entusiasmo.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico .

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