Rui Barroso
Rui Barroso 25 de setembro de 2017 às 19:49

O BCE e os mares nunca antes navegados

Na viagem de regresso à normalização monetária por parte do BCE, todos os cuidados são poucos para garantir uma navegação tranquila.

A comparação foi feita por Yves Mersch, da comissão executiva do BCE, numa conferência organizada pelo Banco de Portugal. Tal como os portugueses fizeram nos Descobrimentos, nos últimos anos o banco central também teve de explorar mares nunca dantes navegados. O responsável do BCE explicou que a autoridade monetária teve de adoptar políticas não-convencionais para responder às primeiras "rajadas" da crise financeira, à "tempestade" que se abateu após a falência do Lehman Brothers e aos "ventos cruzados" da descida da inflação nos últimos anos. Nesse processo, o BCE dobrou cabos impensáveis antes da crise, como a implementação do programa alargado de compras de activos. Mas agora, defende Mersch, é altura de fazer a viagem de regresso à normalização da política monetária. "Podemos começar já a pensar sobre a estrutura da gestão do risco financeiro que será apropriada para um banco central que regresse a um ambiente mais convencional", referiu. Mas, como nos Descobrimentos, a viagem de volta não é isenta de riscos. E, na viagem de regresso à normalização monetária por parte do BCE, todos os cuidados são poucos para garantir uma navegação tranquila.

 

Jornalista

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