Miguel Luzárraga
Miguel Luzárraga 27 de outubro de 2017 às 15:29

O BCE "estica" a sua política monetária

Quase 10 anos após o início da Grande Crise Financeira, que levou a uma dupla recessão e pôs a economia europeia à beira da deflação, o Banco Central Europeu (BCE) deu o primeiro passo no sentido da normalização da sua política monetária.

A luta do BCE contra a recessão e contra a deflação tem sido mais uma maratona do que um sprint. Na verdade, o BCE aplicou o seu primeiro corte das taxas em outubro de 2008 e começou a implementar o seu programa de flexibilização quantitativa (QE) em outubro de 2014. Estas medidas mostraram-se eficazes, já que, mesmo sem medidas de estímulo orçamental em larga escala, a economia europeia já registou 17 trimestres consecutivos de expansão. Além disso, há indicadores económicos avançados, como os índices de gestores de compras e o índice de confiança da Comissão Europeia, que apresentam os valores mais altos dos últimos anos, indicando que a economia europeia deverá continuar a crescer a um ritmo saudável no futuro.

Quanto à inflação, os resultados do BCE até ao momento são menos conclusivos, mas a recente estabilidade das taxas de inflação subjacente e global já pode considerar-se uma vitória. Enquanto isso, a diminuição contínua da taxa de desemprego, aliada à melhoria das condições de crédito e ao aumento da procura de crédito, deverá ajudar a inflação a subir gradualmente.
 

Tal como acontece no final de qualquer maratona, chegou a hora de o BCE ser reconhecido por estes resultados, mas também de adotar uma política mais musculada na linha de chegada, para evitar lesões. E foi exatamente isto que o BCE fez ao prolongar por mais nove meses o seu programa de QE e ao reduzir o seu programa de compra de obrigações públicas e privadas para 30 mil milhões de euros por mês a partir de janeiro de 2018.
 

Se a decisão do BCE representa um nítido ponto de inflexão na política do banco, o mesmo deverá acontecer em relação ao euro e às taxas de rentabilidade das obrigações de dívida pública da Zona Euro nos próximos meses. Nesta conjuntura, estamos em crer que os mercados de ações europeus, nomeadamente as ações de valor e as ações de bancos — que estão estritamente correlacionadas com as taxas de juro — poderão apresentar um desempenho superior ao dos mercados de obrigações de dívida pública da Zona Euro, muitos dos quais já estão a apresentar um desempenho negativo este ano, até à data.

Artigo escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico

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