Fernando  Sobral
Fernando Sobral 05 de Janeiro de 2017 às 09:42

O britânico que deixou Bruxelas enquanto Juncker arde

Os dias não estão fáceis para Jean-Claude Juncker. Está a ser acusado de, quando era primeiro-ministro do Luxemburgo, ter bloqueado os esforços da UE para combater a evasão fiscal.

Não são boas notícias num ano em que, com as eleições na Alemanha e na França, a UE vai estar debaixo de fogo. Depois foi a bomba: o embaixador que lidera em Bruxelas a delegação da Grã-Bretanha demitiu-se com estrondo. Segundo dizem são boas notícias para os defensores do Brexit e más para todos os outros. No "Daily Telegraph", Peter Foster escreve: "Depois dos agradecimentos obrigatórios e 'muito obrigados', Sir Ivan Rogers lançou um ataque sem precedentes sobre os seus chefes políticos em Londres, desafiando a sua equipa a continuar a desafiar argumentos mal fundamentados e o pensamento confuso e nunca ter medo de falar a verdade aqueles que estão no poder."

Já no "Guardian", Matthew d'Ancona refere: "Por temperamento Theresa May é uma política que gosta de superfícies macias e deliberações calmas. Neste contexto a súbita saída de Ivan Rogers é uma pedra atirada na lagoa da sua serenidade. (...) Mas uma questão perturbadora vai demorar e avolumar-se nas conversas sobre o Brexit muito depois de Sir Ivan ter saído: e se ele tiver razão?" Já no "Spectator", Katy Balls refere que: "Rogers causou aborrecimentos no último mês quando foi revelado que tinha dito a ministros que levaria 10 anos a negociar um acordo de comércio livre com a UE. (...) A sua resignação significa que o governo tem pouco tempo para encontrar um sucessor que perceba a complexidade da UE e possa estar pronto quando as negociações começarem". Ou seja, os adeptos do Brexit bateram palmas com a saída de Rogers. Resta agora saber se as negociações correm como eles gostariam.



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