Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 30 de outubro de 2017 às 20:25

O circo 

Ficou por fazer, mais uma vez, uma discussão fundada de como vamos sair daqui e, realisticamente, quais as escolhas. É pena, porque o Parlamento não é, seguramente, uma arena de circo!

A FRASE...

 

"Marcelo diz que o Governo tem agora de estar à altura da confiança parlamentar."

 

LUSA, Jornal Público, 24 de Outubro de 2017 

 

A ANÁLISE...

 

ma.la.ba.ris.ta [m?l?b?'ri?t?] - pessoa que executa jogos de destreza e agilidade; equilibrista (in Infopédia, Dicionários Porto Editora).

 

Trapezistas, malabaristas, equilibristas e tantos outros "artistas" fazem parte, e bem, de qualquer espetáculo circense. Montado sem qualquer outro propósito que não a finalidade única de proporcionar entretenimento aos espectadores. Os números são desenhados à medida das possibilidades, ou antes, de um orçamento sob controlo de um responsável financeiro, que controla que as receitas são suficientes para cobrir as despesas. Nem aqui, o espetáculo foge a dureza crua e fria dos números. Não havendo a adesão do público, por razões que não importa explorar, o futuro fica negro e ameaçado. Talvez por isso, sejam cada vez menos os circos que se veem por isso país fora.

 

Perdoem-me o paralelismo, mas esta pareceu-me a ilustração mais bem conseguida da sessão parlamentar em que se discutiu a moção de censura contra o Governo. Em tudo foi semelhante e, a julgar pelas incongruências e inconsistências das posições assumidas, revela o mesmo mal: o divórcio crescente entre os cidadãos e a política. Especialmente, o Governo e os partidos que suportam exibiram destreza num difícil número de malabarismo, prometendo um majestoso espetáculo que poderá ser conseguido sem sacrificar a despesa. Mas, atendendo à dimensão do prometido, alguém acredita que é possível ao Estado - como o propõem o BE e o PCP - não ter de fazer opções, não diminuir ou cortar noutras rubricas da despesa, para que a solidariedade e a coesão territorial sejam de novo repostas?

 

Concordando com o Governo, e não escamoteando responsabilidades passadas, não importa discutir como chegamos aqui. Mas, também não chega ficar pelos números de malabarismo. Precisamos de outros: aqueles que asseguram a continuidade do Estado. Ficou por fazer, mais uma vez, uma discussão fundada de como vamos sair daqui e, realisticamente, quais as escolhas. É pena, porque o Parlamento não é, seguramente, uma arena de circo!

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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