John Nogueira
John Nogueira 29 de Dezembro de 2016 às 19:37

O degelo da economia

É difícil prever os impactos das alterações climáticas nas avaliações de risco das empresas de seguros e devido a isso, as mesmas vivem num clima de incerteza.

A indústria seguradora ocupa um papel importante no desenvolvimento económico e social das sociedades modernas, dado que contribui para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de qualquer país. Tem impactos profundos na vida das populações e fazem parte do quotidiano das pessoas coletivas e singulares.

 

Garante serviços de proteção de pessoas e dos ativos de empresas nos vários setores da economia, de forma a que as empresas possam dar continuidade ao funcionamento e expansão dos negócios, proteger a estrutura e o património. Reforça a segurança e tranquilidade aos seus negócios, mobilizando poupança e impulsionando a criação de investimentos a nível do setor empresarial.

 

O planeta está a aquecer, as estações do ano estão a mudar, as espécies estão a migrar e os cursos de água estão a adotar novos padrões. Ao mesmo tempo, riscos de eventos extremos, como furacões, secas e cheias, estão a ocorrer com mais frequência e intensidade.

 

O equilíbrio da Natureza está ameaçado e, em alguns casos parece irremediavelmente comprometido. A exploração intensiva de determinados recursos naturais e o uso da energia tradicional contribuem para a degradação do meio ambiente. É obrigatório conciliar ecologia com economia.

 

As três catástrofes de que resultaram as maiores perdas da história para o setor segurador aconteceram todas no passado recente. A saber:

 

• o furacão Katrina que devastou em agosto de 2005 o sudeste dos EUA e as Bahamas, originou indemnizações de seguros no valor global de USD 72.000.000.000,00;

 

• o furacão Andrew que atingiu em agosto de 1992 o sudeste dos EUA e as Bahamas, originou indemnizações de seguros no valor global de USD 24.000.000.000,00;

 

• o furacão Ike que em setembro de 2008 afetou o sul dos EUA e o Caribe, causou indemnizações de seguros no valor global de USD 20.400.000.000,00.

 

Como se pode verificar nos números, a Natureza em pouco tempo e, sem avisar encarrega-se de deixar um dramático balanço de milhões de prejuízos, pelo que as mudanças climáticas podem desencadear ainda mais as injustiças do passado, do subdesenvolvimento, que ajudaram a criar o mundo desigual em que vivemos.

 

Portanto, muitos serão os danos e adaptações em matéria de emprego provocados pelas alterações climáticas, em setores económicos como: as pescas, turismo de praia e agricultura.

 

É difícil prever os impactos das alterações climáticas nas avaliações de risco das empresas de seguros e devido a isso, as mesmas vivem num clima de incerteza. Receiam que o aquecimento global produza eventos meteorológicos catastróficos. Poucos desastres são precisos para que as empresas de seguros entrem em bancarrota.

 

Os gastos excessivos das seguradoras com a ocorrência de catástrofes naturais manifestam a necessidade de redesenhar e formular políticas que ponham no centro do debate o ambiente e a sua sustentabilidade.

 

A eficiência energética na construção, nos transportes públicos e privados e, as energias limpas podem-se tornar em setores de elevado potencial de empregos, os denominados empregos verdes.

 

Por isso e, para a salvaguarda do mundo económico e finanças públicas/privadas é urgente desenvolver e criar condições que estimulem a investigação e inovação relacionada com a defesa do clima.

 

A eficiência energética é fundamental em todos os processos relacionados com o setor doméstico e dos serviços, setor dos transportes e indústria.

 

É de enaltecer todas as políticas atuais que visam a descarbonização da economia e a eficiência energética.

 

Esta é a reforma estrutural de que o país necessita. Talvez possa dar impulso à economia e contribuir para o desagravamento do défice orçamental e da dívida.

 

Sem investimento nas energias limpas, as ondas de choque das alterações climáticas serão mais devastadoras do que aquela crise financeira que se iniciou nos Estados Unidos e atravessou o mundo.

 

Lamentavelmente, o Presidente eleito, Donald Trump, parece querer fazer renascer nova crise, agora com a indústria dos hidrocarbonetos nos EUA.

 

Suspeito de que, estamos perante um novo conceito de risco sistémico.

 

Licenciado em Gestão Comercial e Contabilidade da UFP

Mestre de Contabilidade e Finanças do IPVC-ESTG

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo Há 6 dias

"..negar a existência de alterações climáticas é trair as gerações futuras" refere Barack Obama. O Trump já não pensa assim. Portanto, todos os alertas são poucos a partir de agora.

Fernando Pereira Há 2 semanas

Um artigo de opinião que merece leitura atenta. É de parabenizar o autor pelo cumprimento de um dever cívico e de cidadania.

Anónimo Há 2 semanas

Nao há dúvidas que estamos perante o caos. Terrorismo global, aquecimento global, ameaças nucleares. O que se espera de 2017 ninguém consegue adivinhar.

Anónimo Há 2 semanas

Quem é este bronco do Pedro Nogueira?

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