Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de outubro de 2017 às 21:15

O desafio de Santana Lopes

Quando os guerreiros se cansam, desaparecem os heróis. E, na política, há cada vez menos guerreiros e sobram os peões que apenas seguem a rota do poder, sem momentos de exaltação, de dúvida ou de desafio.

A política é a arte da guerra feita por gestos e palavras. Pode ser sinónimo de conciliação, mas é também o refúgio da liberdade. Winston Churchill dizia: "A política é quase tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na guerra só podemos morrer uma vez, mas na política, diversas vezes." Pedro Santana Lopes vem, mais uma vez, provar que na política portuguesa é possível renascer, ter mais vidas do que os gatos. A política está-lhe no sangue e ele não consegue resistir aos tambores de uma boa peleja. Como a que o leva a defrontar Rui Rio. Não vai ser uma luta de galos, porque Santana Lopes vai desviá-la para o mundo das ideias e das emoções. E aí, claramente, ele é muito superior a Rui Rio. Santana sabe como quer recentrar o PSD e, ao longo destes últimos anos, contactou directamente com a realidade nacional, sobretudo com as suas fragilidades mais escondidas. Talvez por isso tenha sentido a necessidade de recusar o conforto da sua posição na Santa Casa.

 

Há algo em Santana Lopes que faz lembrar Churchill. Este tornou-se um dos mais admirados políticos do século XX. Não porque desse aos cidadãos aquilo que estes diziam que desejavam (é difícil pensar num programa político menos apelativo do que "sangue, suor e lágrimas"), mas porque lhes dava o que eles desejavam: uma liderança forte em tempos de crise. E aqui a crise é do PSD. Mas também, apesar das notícias económicas boas, do país. Churchill buscava o confronto. Santana Lopes faz o mesmo: num tempo de paz podre no PSD (que era aquilo que Rui Rio viria trazer ao partido), vem desafiar o destino. Pode parecer que tem tudo contra ele. Mas, na verdade, talvez tenha quase tudo a seu favor. Porque se o PSD não se reformar agora e não encontrar uma identidade social e um destino nunca mais desafiará o futuro.

 

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Anónimo Há 5 dias

À esquerda convem o Santana. Tanto que convem que ainda nao vi ninguem comentar a treta que foram os 3 dias do governo dele. Estao a guardar isso para explorarem esse filao quando for a campanha eleitoral nas legislativas. O Rui Rio nao lhes agrada porque contra esse nao iam ter munição para lhe atirar. Enquanto foi presidente da camara do Porto, separou a politica do futebol e nao deixou que a camara fosse refem de interesses economicos.

Mr.Tuga Há 1 semana

Penso que Santana não tem a "credibilidade" necessária.....