Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de março de 2017 às 09:31

O desafio holandês e o dilema da classe média

Nesta semana todos os olhares estão virados para as eleições holandesas. Mas o resultado delas está ligado a muitos factores que enervam a Europa.
No "El País", Moisés Naim reflecte sobre a questão da classe média: "As análises ignoram que a classe média, essa que na Europa e nos EUA está a lutar para não perder a sua preponderância económica, social e política está em pleno apogeu no resto do mundo. (…) A classe média dos países ricos sente-se ameaçada e vai exigir aos seus governos acções e resultados que mantenham os seus históricos parâmetros de vida. Ao mesmo tempo, a classe média dos países emergentes está mais esperançada que nunca e lutará para que o seu progresso continue". Aqui está um dilema que não terá fácil resolução.

No "Independent", Hamish MacRae olha para a Holanda: "A próxima quarta-feira será o primeiro teste no continente sobre a vaga de populismo que está a varrer a Europa: as eleições holandesas. Correm rumores que poderá também ser o dia em que o Reino Unido avançará com o artigo 50, comunicando a intenção de deixar a UE. E será o dia em que a Reserva Federal voltará a aumentar as taxas de juro, assinalando a divergência de fortunas económicas entre os EUA e a zona euro. (…) O que se está a passar na Holanda não tem a ver com a economia, tem a ver com identidade. (…) O crescimento do populismo pode ter mais a ver com um desejo de protecção e respeito pela fórmula holandesa do que apenas limitar a emigração." E acrescenta: "Se a UE quer continuar junta (…) significa aceitar e celebrar o patriotismo em vez de o ver como uma relíquia de um passado desconfortável". No "Daily Telegrah", Roger Bootle acrescenta: "Pergunto-me porque é que tantos pequenos países têm tanto sucesso económico. A resposta, penso, é que a sua vulnerabilidade torna essencial ter uma política pública correcta". Não podia ser mais claro.



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